Capítulo 08: A jóia em formato de coração.
Snape passou o dia pensando de quem poderia ter sido a autoria daquele bilhete. Ele tinha muitos inimigos e saber qual deles seria o autor dessa ameaça seria uma tarefa hercúlea. Tinha de pensar. Mas pensaria nisso depois, escutara as três pancadas suaves na porta, era Anita Stock para uma visita surpresa. Ele sorriu.
-Isso são horas, senhorita Stock!- A voz grave dele fazia Anita sentir segurança.
-Eu estava estudando e perdi as horas, acabei jantando tarde, e eu não queria dormir sem antes te dar um beijo...- Ela disse colocando-se na frente dele.
-Acabou com a poção que eu te dei? -Perguntou Snape
-Sim...E não senti mais nada, acho que não devia ter ficado sem comer...Sempre é assim, fico fraca e fico enjoada- Ela disse séria.
-Não fique sem comer de novo...É uma ordem, senhorita Stock- Falou Severo sem nenhum humor.
-Não seja tão sentimental...senão eu posso pensar que gosta *mesmo* de mim- Ela disse abraçando-o.
Snape passou a mão pela cintura dela, e beijou sua cabeça uma vez, ele não disse nenhuma palavra por alguns minutos.
-Para prevenir, pegue outra poção para enjôo na cômoda.-Ele disse ao separar-se dela.
-Está bem...-Anita levantou-se e foi em direção a cômoda de madeira no canto da sala. Ela abriu a primeira gaveta, olhou e não viu nada...a não ser por um papel meio amassado...escrito...”traidor e verme” , ela voltou a vista e mais por instinto do que por curiosidade ela leu o bilhete todo.
-Severo o que é isso?- Ela entregou-lhe o bilhete com as mãos trêmulas.
-Quem foi que escreveu esse bilhete?- Anita tinha os olhos angustiados.
-Por um acaso pareço com a Trelawney? - Disse ele revirando os olhos.
-Não vê que não está assinado!!!- Continuou, mostrando o bilhete.
-Não tem idéia de quem seja? -Anita Rebateu nervosamente.
-É Óbvio que não...-Disse ele com um muxoxo.
E só de pegar o bilhete pela primeira vez , ela percebeu...Jamais esqueceria a caligrafia *dele*, o nome lhe veio a mente, rasgando feito pólvora. Aquele modo de escrever, inclinado de forma esticada, a maneira deitada de escrever o “S” , com toda força e brutalidade, marcando todo o papel até do outro lado...
-Pois...eu sei...quem....escreveu...-Ela parecia decidir se dizia ou não.
-Então, diga logo!!!- Rebateu ele com pressa.
Ela só conhecia uma pessoa que escreveria daquela maneira...
-Yaxley!!!-Ela olhou-o temerosa.
-Como tem tanta certeza?- Perguntou Snape ao ver a reação da moça.
-Não...é...um...comensal???- Ela disse olhando para os pés.
-Sim...- Respondeu ele com as sobrancelhas levantadas.
-Mas isso não explica o fato...Como sabe que é dele?- Perguntou Snape com seus olhos negros e inquisidores.
-Severo...-Ela pareceu fugir.
-Diga...senão eu leio a sua mente.- Ameaçou impiedosamente.
-Você prometeu!!!- Ela respondeu surpresa e temerosa.
-Eu sei...mas isso é muito sério...que ligação tem com ele? -Sua voz saiu mais áspera do que o normal.
Ela andou pela sala, aparentemente nervosa, sacudindo as mãos.
-Eu direi...-Falou num suspiro depois de pensar alguns minutos.
-Minha irmã trabalha na parte de investigações...ela vê cartas....pistas...eu as vezes a ajudava, olhando as cartas, procurando algum indício...me lembro da letra dele....Com certeza, foi ele que escreveu o bilhete...
-Então é ele que anda me mandando recadinhos...-Disse Snape sarcasticamente, parecendo satisfeito com a resposta dela.
-Acredito que sim...se quiser, posso mandar para Ludmila,minha irmã,ela pode confirmar. -Respondeu Anita franzindo a testa.
-Não precisa...Se você tem certeza de que é ele.- Respondeu Snape friamente.
-Você está bem? -Inquiriu Snape ao perceber que ela estava branca como papel.
-Sim...- Respondeu olhando para o lado.
-Você está tremendo?- Severo segurou Anita.
-Não- Balbuciou a corvinal escondendo as mãos trêmulas.
-Não seja tola, é óbvio que está tremendo!!!- Snape arqueou as duas sobrancelhas.
-Não estou... – Ela tentou rebater inutilmente.
-Não minta pra mim, Anita!!!- Snape falou duramente.
-Severo...estou com medo por você...não brigue comigo!!- Ela colocou a mão esquerda sobre a testa preocupada.
-Não seja boba, eu sei me cuidar muito bem!!!- Snape tentou acalmá-la
-Mas...eu sei que Yaxley é perigoso, ele pode lhe fazer muito mal...-Ela abraçou-o fortemente ele sorriu, afinal ela se importava.
-Estou tomando todas as precauções...agora que eu sei que é ele...tudo fica ainda melhor, se ele aparecer por aqui, será pior para ele.- Respondeu com firmeza.
Anita olhou-o visivelmente preocupada, a testa tensa e as mãos geladas, suas pernas pareciam bambas. E estavam.
-Severo...se ele aparecer aqui....fuja...-Ela disse com os olhos perdidos no horizonte.
-Me acha tão covarde assim? - Ele levantou uma das sobrancelhas.
“ Seria um insulto?”
-Não pense isso...peço por mim...Não quero perder você...- Os olhos azuis eram aflitos.
-Não vai perder...Eu acabo com ele facilmente. - Ele sorriu com o canto da boca ao perceber a preocupação dela.
-Acaba... - Ela sorriu esquecendo-se de tudo, esse era o poder do abraço dele, fazer com que ela esquecesse do medo.
-Pensei que já soubesse do que eu sou capaz?- Snape levantou-a alguns centímetros do chão para beijá-la melhor.
-Eu esperei por esse beijo o dia todo...- Ela respirou ofegante ao separar-se dele.
-Sabe que isso é terrivelmente bom para o meu ego, não é?- Ele perguntou levantando a sobrancelha com um sorriso sonserino.
-OPS!!!Não era a minha intenção...-Ela disse ao empurrar o cordão do seu pescoço para o lado, para que ele não o visse.
Tarde demais.
-Quem te deu esse cordão?- Ele perguntou ao perceber a jóia pela primeira vez.
-Ahhh...esse???...ninguém em especial...-Ela parecia incomodada com a pergunta.
Ele percebeu.
-Uma jóia...em formato de coração...me pareci muito especial - Disse ao observar a jóia mais de perto, parecia ser cara.
-Foi a senhora Stock, sua mãe, quem lhe deu?- Perguntou com um sorriso no rosto.
-Não...- Ela disse de forma estranha.
-Então foi sua irmã...Ludmila? - O sorriso encurtou.
-Não...eu tenho de ir, agora.-Ela tentou se desvencilhar-se dele.
-Espere mais um pouco, pra que tanta pressa assim?- Ele olhou-a cinicamente.
- Quem lhe deu o cordão?
- Tenho de ir... - Anita não gostava da expressão do rosto dele.
-Foi algum parente seu???- Tentou arriscar diante do silêncio dela.
-Oras, isso não importa!!- Ela afastou-se dele zangada.
-É apenas uma pergunta simples!!!Foi algum Stock?-Ele não desistiria.
-Estou indo embora...tenho muita tarefa para fazer!!! – Anita tentou chegar a porta.
-Ainda não, quero uma resposta...- Ele foi rápido.
-Severo...eu tenho muita tarefa, é sério!!!- A moça tentou passar-Ele a impediu com o braço.
Snape continuava firme.
-Eu nem devia ter vindo...Você sabe...Tenho de ir, agora!!!- Anita tentou sair novamente, sem êxito.
-Anita, essa pergunta só tem uma resposta...sim ou não?Diga.- As mãos dele a apertaram de maneira firme. Seus olhos negros eram inquisidores e implacáveis.
-Talvez...-Ela tentou enganá-lo e correr para porta.
Sem sucesso.
-Resposta errada, só vou lhe dar mais essa chance...- Os olhos dele estreitaram perigosamente, ele falava a sério. Anita estremeceu
-Foi algum Stock?-Ele repetiu a pergunta
-Não. -Ela respondeu olhando para o chão.
Snape a soltou mediante a resposta.
-Adeus. - Disse a moça ao sair sem olhar para trás.
Capítulo 09: Histórias Tristes.
Três batidas suaves na porta...
-Professor Snape, eu vim para minha detenção.- Informou Anita.
-Então entre logo, senhorita Stock!!!- Respondeu de mau humor.
-O que devo fazer?- Perguntou Anita séria.
-Sente-se naquela poltrona.- Snape apontou para o estofado.
Anita sentou-se obediente. Ele foi na mesa e pegou dois copos de suco de abóbora e trouxe. Sentou-se ao lado dela e ofereceu-lhe um copo. Ela observou bem o rosto dele, atrás de alguma informação. Nada. A jovem resolveu entrar no jogo e bebeu o primeiro gole.
-Está com raiva de mim? - Foi a primeira pergunta que ele fez.
-Não...E você, está chateado comigo? – Anita parecia tensa.
-Não...só quero que confie mais em mim.- Respondeu Snape analisando-a.
-É difícil pra mim...- Ela olhou para o lado, buscando coragem, antes de continuar- Eu tenho dificuldade para me abrir com as pessoas...você foi a primeira pessoa com a qual eu quis compartilhar algo.
Snape sentiu que ela estava abrindo o seu coração para ele.
-Eu me sinto segura com você, sei que não vai me *machucar*.-Ela observou seu cabelo negro e liso, que caia desajeitadamente sobre seus ombros.
-Eu não quero machucá-la, mas não sei se posso fazer isso...- Snape sabia como era ser magoado. Ele não queria passar por isso de novo, e nem fazer isso com ela.
-Eu sei que você não quer me machucar...e dará o seu melhor para que isso não aconteça -Ela disse fechando os olhos e beijando-o.
-Eu queria ter conhecido você a mais tempo...-Ela suspirou e o abraçou.
-Talvez eu não estivesse pronto para você.- Ele deu um sorriso torto.
-Como assim...fala por você ter sido um comensal da morte?- Anita perguntou encarando-o.
-Não só por isso...Antes de te conhecer, eu passei muito tempo magoado e revoltado. – Ela estava abrindo-se com ela.
-Eu te amaria mesmo que você fosse um comensal. -Ela passou a mão suave pelo rosto dele, acariciando-o.
-Não sabe o que está dizendo...-Ele disse olhando-a incrédulo.
-Ah...eu sei, infelizmente eu sei...- Ela abraçou ele mais forte. Seus braços fortes eram toda a proteção que ela precisava. Anita fechou os olhos novamente. Estava segura.
-O que quer dizer com isso?- A frase não passou despercebida.
-Eu sei de um caso...De um amor verdadeiro... entre um bruxo das trevas, na verdade...um comensal da morte...e uma bruxa...muito boa...-Os olhos de Anita ficaram marejados, ela passou a mão no rosto disfarçadamente para enxugar as lágrimas escorriam silenciosas.
Mas foi tarde, Snape havia notado a presença da lágrima rebelde.
-E como acabou a história? - Snape perguntou disfarçando a curiosidade que sentia.
-Acabou mal...-Ela respirou fundo- Era um amor impossível...
-Como o nosso?-Perguntou Snape debochadamente.
-NÃO!!-Ela protestou, como se a comparação lhe doesse fisicamente – O nosso amor é sólido...seguro...firme!
E voltando aos braços dele, Anita terminou a conversa dizendo:
-Não quero mais falar dessas...histórias tristes- E dizendo isso, ela o beijou suavemente nos lábios.
SsssSSssSSssSSssSSssSSss
E como se não bastasse as preocupações que ele já tinha, com a recente ameaça de morte, agora ainda tinha mais essa...aquela jóia em formato de coração, feita em ouro e cravejada com pedras preciosas...
“Uma jóia cara, muito cara..para se dar para qualquer um.” Pensou ao sentar na cadeira.
“E não foi nenhum Stock...que havia lhe dado...”- Ele respirou fundo, e fechou os punhos. A mente trabalhando ruidosamente.
“E ainda tem a história do bilhete...ela conhecia a caligrafia do Yaxley” - Ele bateu na mesa com força.
As peças se juntando...
“Um comensal da morte apaixonado por uma bruxa...muito boa?”- Ele colocou as mãos sobre a cabeça.
“Poderia ser...” -Uma voz lhe disse mentalmente.
-Não, não pode ser!!!- Ele balbuciou em resposta a si mesmo.
“Ela podia ter tido outro namorado, isso seria normal...”
-Mas logo ele...
“Yaxley...” – O nome dele queimou na sua mente.
Snape passou a mão pelos cabelos negros, e segurou a cabeça pesadamente, tudo indicava que era isso...O jeito com que ela ficou pálida ao ouvir o nome dele, as suas mãos tremeram, aquilo tudo era muito estranho... Sentiu nojo ao pensar na cena...Yaxley e Anita JUNTOS. Sentia vontade de socar Yaxley até a morte, ou torturá-lo com cruciatos por ter tocado na sua Anita...
“Talvez fosse melhor dormir...” – Ele pensou consigo mesmo, enquanto vestia o seu pijama.
***
O relógio estava ali dependurado na parede, e mesmo que quisesse, ele não o deixaria mentir. Estava atrasado!
- Por Morgana, Anita já deve estar me esperando!!!
Snape pegou as suas tradicionais roupas e as vestiu o mais rápido que pode, correu em direção ao local combinado tomando todo cuidado para não ser visto. Apesar de ser muito cedo e o caminho pelo o qual ele havia escolhido ser pouco utilizado, principalmente por alunos e professores. Mas, foi incrivelmente rápido... Ele já estava lá, diante do lago, procurando por Anita. Ela não estava lá.
“Onde ela havia se metido?”
Severo passou por entre arbustos e escutou barulhos estranhos, como o de beijos sufocados...Ele reconheceria esses ruídos a quilômetros , e como professor de Hogwarts era o seu dever acabar com essa pouca vergonha, desses adolescentes insubordinados, e isso deveria ser feito rápido, antes que Anita aparecesse. Severo iria surpreendê-los, mas quem teve a surpresa maior foi ele, pois não eram dois alunos:
Anita e Yaxley estavam lá, juntinhos, abraçados e aos beijos. Snape sentiu uma raiva súbita, a qual percorreu todo o seu corpo através da sua corrente sanguínea. Era ódio puro!
-TIRE AS SUAS MÃOS DELA!!! –Berrou com toda a sua força.
-Snape??? – Anita parecia surpresa em vê-lo, mas não houve muito tempo para conversas.
Yaxley e Snape estavam rolando do chão como dois adolescentes, brigando aos murros pelo amor de Anita. Eles trocavam ofensas e socos quando...
- PUFT!!!!
****
Capítulo 10: Quem tem medo de bicho papão?
Severo abriu seus olhos, ele estava todo suado, a respiração rápida, todo o seu corpo latejava da queda. Ele observou o relógio na parede, eram 3:00horas da madrugada, Snape estava caído no chão do seu quarto.Ele sorriu aliviado.
Havia sido apenas um pesadelo terrível...
“Como em tão pouco tempo, Ela se tornou tão importante pra mim???”
***
Anita e Julliane estavam sentadas lado à lado para o café da manhã.
-Oi garotas!!!- Saudou Herbert Westy ao sentar-se na mesa. Bem no meio das duas corvinais.
-Bom dia Westy. – Respondeu Anita sem ao menos olhá-lo na cara.
Desde o dia da biblioteca, Herbet Westy havia caído muito no conceito dela.
-Bom dia Herbert- Falou Julliane com um sorriso no rosto.
-Vocês estão sabendo que tem um bicho papão solto no Castelo?-Perguntou Herbert bem alto, querendo chamar a atenção de todos na mesa.
E pareci que ele havia conseguido.
-Ohhh...por Merlin!!!- Julliane gritou ao reclinar-se sobre a mesa.
-É sim...Thomas disse que ele foi para o lado dos grifinórios!!!- Respondeu Herbert, fazendo menção com a cabeça para o mesa dos grifinórios.
-Podemos ir atrás deles, para treinar um pouco- Sugeriu Eduard Village, que estava sentado bem de frente ao Westy.
- O que acha da idéia Anita? – Perguntou Herbert querendo puxar papo com a jovem Stock.
-Creio que já que os grifinórios são tão...corajosos...eles podem lidar muito bem com isso sozinhos! - Disse sem humor nenhum.
-Credo, Anita...vai dizer que não quer ver o bicho de perto?- Perguntou Village.
-Não...odeio bicho papão!!!- Falou abrindo outra folha do jornal.
-Eu também. - Concordou Julli depressa.
-Não se preocupem garotas, eu cuido de vocês...- Disse Westy abraçando as duas.
Anita aproveitou o momento para afastá-lo de perto dela.
-Não preciso de sua ajuda Westy...- Ralhou Anita revirando os olhos e se afastando dele.
-Tudo bem, alguém está de mal humor por aqui...-Brincou Westy pegando uma fruta e saindo.
-Não precisava de tanto Anita!!!- Brigou Julli cruzando os braços. Quando Westy saiu do campo de visão das duas.
-Aham...Você sabe que não suporto ele!!!- Anita balançou a cabeça em desagrado.
-Sei não...As vezes você pareci até outra pessoa...-Julli olhou-a horrorizada.
Anita riu.
-Que bom que você acha engraçado!!!- Respondeu a outra corvinal.
***
Anita andava pelas masmorras sorrateiramente, ela estava indo ao encontro de Snape, e suas pernas ficavam trêmulas só de pensar em encontrar um bicho papão rondando por aí. Mas estava aliviada ao pensar na idéia daquele bicho ter indo em direção da torre dos grifinórios e não para as masmorras.
E como de costume, ela deu três batidas na porta.
-Professor Snape?- A sua voz estava aparentemente normal.
Sem resposta. Ela ficou muito nervosa com a ausência daquela voz grave, forte...esse era o som reconfortante da voz de Snape.
-Professor Snape?- Ela chamou um pouco mais alto ao dar as três batidas na porta.
-Professor Snape? - Anita sentiu-se mal com a demora dele. Sua voz tremeu.
“Talvez Yaxley estivesse aí...”-Pensou afoitamente.
“Ele poderia ter comprido a ameaça..” - Sua perna tremeu.
-Professor Snape? - Anita gritou o mais alto que pode e deu as três batidas mais fortes que pode.
Sem resposta.
-Professor Snape...Abra, por favor!!!- Ela bateu forte e continuou a espancar a porta até os seus punhos doerem.
Ela poderia até sangrar. Não pararia até ouvir a voz dele. Se a porta fosse de vidro, teria quebrado por inteira. Diante da insistência da moça.
-Professor Snape...Abra, por favor!!!- Ela implorou seus punhos latejavam.
Até que a porta finalmente abriu.
-Está louca senhorita Stock? - A voz grossa e firme não a enganaria.
Era ele...
Ela suspendeu a respiração.
Ele olhava-a com a cara fechada e os braços cruzados, visivelmente irritado.
- Entre. – Pronunciou mortalmente.
-Que escândalo foi esse? -Perguntou alto com a sobrancelha levantada.
-Eu...- Ela balbuciou sem graça, deveria ter parecido uma louca.
-Deixe-me ensiná-la...você bati na porta e espera a pessoa vir atender...Pareci simples, não? - Perguntou sarcasticamente.
-Se a pessoa não aparecer...você vai embora, ao invés de ficar gritando na porta dela...como se houvesse acabado de fugir do St. Mungus. - Respondeu acidamente. Estreitando os olhos de tanta raiva.
-Desculpe-me- Ela murmurou zangada pela repreensão dele.
-Por que demorou tanto a abrir a porta?- Perguntou cruzando os braços, agora ela estava com raiva dele.
-Estava fazendo algumas poções...precisava de concentração. - Respondeu mais calmo.
-Não precisava ter sido tão estúpido, Severo...Eu estava preocupada com você...demorou muito a atender a porta!!! - Afirmou ela, cruzando os braços e sentando no sofá, sem olhá-lo no rosto.
-Eu não queria ter sido...grosseiro - Respondeu ele mais calmo.
Snape poderia ter atendido logo a porta, mas não quis fazer isso. Ele estava pensando em Anita e Yaxley, e a idéia estava lhe deixando maluco, estava arrancando o seu sono e o seu humor totalmente. Ele estava uma pilha de nervos, e naquele momento, ele preferia não vê-la.
“É fácil saber, é só ler a mente dela.”- Uma voz lhe disse mentalmente.
Ele fechou os dois punhos. Não poderia fazer isso, havia feito uma promessa. Iria cumpri-la até o final (ou não...). Queria se afastar de Anita para pensar, o contato com a pele dela, com o seu cheiro, prejudicava a sua razão. Precisa se afastar dela para pensar. Mas ela gritava e berrava do outro lado da porta. Batia com força. Havia temor em sua voz. Snape não resistiu diante do desespero da corvinal. Foi vencido. Abriu a porta.
-Quer ajuda com a poção???- Perguntou Anita, que aparentemente havia lhe desculpando pelo seu mal humor.
-Pegue um pouco de sangue de salamandra pra mim- Disse ele voltando a mexer no caldeirão.
-Está no armário dos fundos...-Disse ao observá-la de rabo de olho. Ele estava fingindo estar concentrado, mexendo no seu caldeirão.
-Severo, você precisa arrumar esse armário...Ele está imundo!!- Anita colocou a mão na boca para tentar segurar a tose, mas foi em vão...
-Acho que devia tirar esses vidrinhos daqui...está muito úmido, pode estragá-los!!!- Sugeriu Anita.
-É para ser úmido mesmo...- Disse Snape revirando os olhos.
-Não estudou que raminha brasileira do campo precisa de umidade...-Disse aborrecido.
-De umidade, sim...mas não de sujeira...está imundo, isso aqui!
-Olhe!!!- Ela mostrou o dedo cinza de fuligem para ele.
-Já pegou o sangue de salamandra?- Perguntou arqueando as sobrancelhas, visivelmente irritado.
-Eu acho que encontrei...está aqui no fundo.-Ela falou alto.
Anita esticou a mão para pegar o vidrinho, mas sem querer ela tocou em algo que parecia substancial. Ela se assustou e desequilibrou, caindo para trás...
Foi então que ela viu Yaxley na sua frente, ele estava forte e poderoso, com da ultima vez que ela o havia visto. As mesmas feições cruéis e duras. Ela gritou.
-NÃO!!!!!!
***
Snape estava fatiando as lagartixas para a sua poção de redução, precisava repor o estoque, não gostava de ficar sem suas poções. Principalmente as mais simples e urgentes. Isso o incomodava profundamente.
Mas a sua concentração foi interrompida, por um grito de que ecoou por toda a sala. Era Anita...
-O que está acontecendo dessa vez? – Murmurou aborrecido.
Snape entrou na sala com as suas vestes negras esvoaçantes, a varinha em punho, todos os seus reflexos ativos esperando pelo pior. Ele viu Anita jogada no chão, tentando rastejar, ela gritava e chorava de pavor diante da figura tenebrosa de Yaxley. Ele a olhava e sorria, mostrando os dentes amarelados, sua expressão cruel e tenebrosa.
Mas não era Yaxley, ao menos não o verdadeiro...
Era um bicho papão.
Snape passou na frente de Anita para protegê-la, suas vestes negras eram o escudo dela.
O bicho papão transformou-se na forma de Anita...morta.
Ele estremeceu, seu pior temor havia mudado...
Teve de pensar rápido. Não estava preparado par isso.
-Ridículus- Ele encarou o bicho e debochou do seu pior temor...
O bicho papão se transformou numa grande boneca de porcelana, rachando-se e quebrando-se ao meio. Agilmente, ele pegou Anita do chão e colocou no sofá.
-Severo...Eu tive tanto medo...-Ela tremia nos braços dele.
-Está tudo bem...-Snape garantiu tranqüilizando-a ao passar a mão pelos cabelos dela.
-você tem medo de me perder, Severo?-Ela disse já mais calma, sua voz estava surpresa.
-É...parece que meu bicho papão mudou...-Ele falou sarcasticamente ao pensar como estava envolvido com ela.
-Anita...Eu tenho de perguntar...-Ele olhou nos olhos dela e estremeceu, a ocasião era perfeita.
-Por que o seu bicho papão é o Yaxley?- Ele olhou-a seriamente, avaliava cada expressão do seu rosto pálido.
-Eu quero contar uma coisa a você. Ela fechou os olhos e começou a falar:
-Quando eu era criança...eu tinha uma amiga chamada Lenorah Kiel...-O nome pareceu queimar a boca dela e Anita teve de engolir para poder continuar – ...Ela morava muito próximo a minha casa...E nós brincávamos juntas...Mas um dia, houve um ataque...Yaxley e outros comensais mataram os pais dela...- Anita colocou as mãos no rosto e chorou- Ela era uma criança, apenas uma criança....ela era uma menina boa....-Anita tirou as mãos do rosto e o encarou para continuar- ...Mas, apesar de Yaxley ser amigo da sua família...Yaxley matou a mãe dela, o seu pai e...estuprou e matou ela...Severo...Eu...era...sou...ohhh...
Anita abraçou-o violentamente e sussurrou no ouvido dele fracamente
-Por favor, não me peça para continuar.-Ela implorou entre lágrimas
-Não precisa...-Ele respondeu chocado com aquilo tudo que ela lhe contara.
-Está tudo bem, Anita... - Ele levantou o rosto dela com uma mão- ...Não vou deixar que ele machuque você...-A firmeza dos olhos negros deram segurança a ela.
-Obrigada. -A corvinal murmurou baixinho, apoiando-se nele.
***
continua...
sábado, 12 de junho de 2010
Fic: As irmãs Stock (parte 3)
Capítulo 06 : O Bilhete
- Isso não deveria ter acontecido!!! – Foi a primeira coisa que Snape disse ao afastar-se bruscamente de Anita.
-Mas...- Anita tentou balbuciar envergonhada.
-Vá embora, senhorita Stock....é o melhor a se fazer- Snape disse quase para si convencer, ao separar-se dela com todo o seu autocontrole.
Esse golpe foi duro demais para Anita agüentar sem demonstrar qualquer sentimento. Ela correu o mais rápido que pode para o seu quarto. O seu plano era nunca mais sair dali. Havia cometido um erro, um erro fatal...
“Eu deveria saber....”
Snape andou pela sua sala com as mãos trêmulas, o que ele havia feito tinha sido horrível demais. Seguir os seus impulsos daquela maneira era doentio, insano demais, principalmente para ele, que era tão razão. As diferenças entre os dois, e os motivos para evitar a todo custo uma nova aproximação...lhe diziam algo que o seu coração negava com veemência.
“Pela manhã as coisas estariam mais calmas”-Pensou ele.
***
Mas a verdade é que existem amores que só aumentam com o tempo, amores que quanto mais se reprime, mais ele aumenta e que podem chegar a um ponto, onde esse mesmo amor é capaz de sufocar todos os outros antigos amores, devido a sua enorme proporção. Snape amou Liliam, era um fato inegável, mas o seu amor por Anita estava crescendo com proporções perturbadoras, sufocando inclusive o seu antigo amor pela sua falecida amiga.
Capítulo 07 : O Pesadelo
By Anita:
Eu estava novamente naquele dia escuro, ela estava lá de novo, novamente ela me visitava nos meus mais terríveis pesadelos, a minha querida amiga estava lá, caída no chão, seus belos olhos arregalados, numa expressão vidrada e vazia, seu rosto parado como o de uma bela estátua de mármore, não havia dúvidas para ninguém, infelizmente, nem para mim. Ela estava morta. E eu tremia dos pés a cabeça, igualzinho havia sido....
Ela estava morta, mas eu a ouvia em toda a parte que eu fosse:
-Por que você fez isso? Me roubou tudo que era meu!!!!!
- Me perdoe!!! – Gritei entre lágrimas para a imagem do seu belo rosto inerte.
- Por que você não fez alguma coisa...Até quando vai ficar com medo?
Faça alguma coisa, por mim...
-Eu não posso fazer nada, você está morta!!! – Eu gritava descontrolada, enquanto corria por aquele maldito caminho de novo.
A voz suave dela ecoava por todo lugar...
- O meu assassino está vindo...corra!!!!!
-Não!!! – Eu corria loucamente por entre ramos e arbustos, mas sempre acabava escorregando na poça de lama, sempre o mesmo pesadelo...
E Yaxley estava lá, rindo para mim, debochando do meu pavor diante da sua face bruta e perversa, e eu sempre soube que o seu sorriso amarelo estaria nos meus piores pesadelos para me lembrar da minha covardia, e das minhas piores fraquezas.
Anita abriu os olhos, sentia novamente o mesmo embrulho no estômago, aquele mal estar que aquele homem lhe trazia, a doença que era vê-lo, mesmo que em um pesadelo. Ela correu para o banheiro o mais rápido que seus pés podiam, e fez o que sempre fazia depois de um sonho desses, ela provocou tudo que tinha comido.
“Como eu o odeio...”
O pavor de vê-lo não passou ao acordar, pelo contrário, ela continuava enjoada, com medo, mas diferente das outras vezes, ela não poderia correr para a cama de Ludmila Stock, sua irmã não estava ali, não era mais a sua casa. Ela levantou-se fraca, e saiu vagando para o único lugar onde se sentia segura, ela correu até as masmorras do jeito que estava.
***
- Não pode ser, quem será esse infeliz!!! - Snape vestiu seu hobby e foi atender a porta, ele estava de péssimo humor.
- Senhorita Stock? – Ele não pode evitar a surpresa
- Eu preciso de você...não me mande embora!!! – Anita correu e o abraçou
- O que aconteceu, você está gelada e descalça...??? – Perguntou fechando a porta e colocando-a sentada no sofá.
-Eu tive um pesadelo...- Anita cobriu-se com uma manta, a qual ele ofereceu-a.
- Um pesadelo? Sinceramente, senhorita...Acho melhor voltar para a sua cama.- Respondeu Snape relaxando, afinal, um pesadelo para ele não era nada demais.
- Não, não faça isso comigo. Deixe-me ficar aqui!!!- Ela implorou.
- O quê???- Surpreendeu-se Snape, levantando as duas sobrancelhas - Você quer passar a noite aqui???
-Isso é impossível, sinto muito Senhorita Stock...É melhor você voltar para sua cama...eu posso lhe dar uma poção...mas...
- Por Deus, eu imploro, não me deixe sozinha...eu confio em você!!!- No desespero ela ajoelhou-se aos pés deles e começou a implorar.
-Senhorita Stock pare com isso!!!- Snape ficou chocado com o terror da sua expressão, mas a fez se levantar.
- Por favor, tenha piedade....não me deixe!!! –Ela o abraçou com força e começou a chorar nos seus braços.
-Anita... – Snape ficou sem chão.
- Por favor, Severo... – As lágrimas escorriam do rosto dela.
- Não me chame assim- Replicou ele.
-Severo? – Os olhos tristes dela racharam-no ao meio.
- Venha comigo, você pode dormir aqui. – Snape falou duramente, mas acabou levando-a para a cama dele.
- Você vai a onde? – Perguntou Anita ao vê-lo ir em direção a porta
-Vou dormir na sala!!! - Afirmou Snape um pouco aborrecido.
- A sala fica muito longe!!! –Protestou Anita
-Poupe-me de fricotes, a sala está aqui ao lado!!!
- Ah, por Merlin!!! -Exclamou ao vê-la entristecer-se - Não vai chorar de novo!!!
- Não quer que eu durma no chão...não é? – Snape encarou-a e viu que ela sorriu com a idéia.
- Nem pensar!!! – Snape caminhou em direção a sala.
Anita estava de olhos bem abertos, quando o viu voltando para o quarto carregando uma almofada na mão e em seguida, colocando-a no chão perto da cama, onde agora ela estava. Mas Anita não conseguia pegar no sono, mesmo com ele ali, aos pés da cama. Na sua casa, ela sempre dormia juntinho com Ludmila, sua irmã. Ela observou Snape deitado no chão, ele parecia já haver cochilado.
Enquanto isso, Snape estava de olhos fechados, tentando dormir naquele chão duro e frio. Era uma tarefa difícil.
“Sinceramente, eu devo estar ficando louco... por que eu acabo fazendo tudo que ela quer???...aqueles olhos azuis...alguém deveria impedi - lá de falar assim: por favor, Severo....Eu não acredito que eu estou dormindo nesse chão duro por causa dela...Eu deveria ter mandado ela embora, mas ela estava tão desprotegida...que eu..bem..”
Pés delicados e ágeis andavam suavemente pelo quarto.
“....Mas O que é isso agora, não acredito!!!Ela está andando, estou ouvindo os passos dela...O quê???Ela se deitou ao meu lado...muito atrevimento dessa corvinal....Ela está me abraçando???...Eu não posso...sentir sua pele macia...mas teoricamente, eu estou dormindo...e é ela quem está se aproveitando de mim..
(Snape deu um sorriso sonserino)”
Severo abriu os olhos, e ela estava extremamente calma, suas mãos trêmulas agora estavam firmes em volta do corpo dele, ela estava deitada ao seu lado com um anjo, ele podia sentir o calor do corpo dela junto ao seu, e era maravilhoso.
Snape passou cinco minutos observando-a dormir quando finalmente resolveu colocá-la gentilmente de volta na cama, para que ela ficasse mais confortável. Contudo, mesmo deitada na cama, ela segurou a mão dele e pediu suavemente, olhando bem nos seus olhos negros, para não haver nenhuma dúvida
-Fica, por favor...
- Eu não posso...
- Só fica do meu lado...
- Anita, é melhor assim...
- Só dessa vez, eu prometo...
- ...
Snape deitou-se ao lado dela e ela o abraçou novamente, ele fechou os olhos por impulso, não poderia dormir, algo dentro dele lhe dizia que esse era um caminho sem volta, ele estaria sempre preso a ela não importava como. Seus olhos ficaram abertos, boa parte da noite, observando-a dormir serenamente.
***
Pela manhã, corujas voavam pelo salão entregando cartas e mais cartas.
-Olhe que legal, você recebeu uma carta da sua irmã!!!- Comentou Julli limpando o queixo sujo de pudim.
-Foi...- respondeu Anita sem ânimo algum, fingindo comer alguma coisa.
-Eu vi aquela foto do seu porta retrato!- Comentou feliz- Ela é muito parecida com você!!!
-É..., muitas pessoas acham que somos gêmeas – Anita respondeu mecanicamente, pois isso sempre acontecia.
-Mas vocês tem diferenças, como a cor dos olhos...o jeito do cabelo, o dela é curto e fino, o seu s seu é longo e mais grosso.
-Aham..- Respondeu Anita desistindo de tentar comer e olhando o jornal.
-Chegou...é uma carta da minha mãe!!!-Gritou Julli para todos ouvirem.
-Você não vai abrir a sua carta, Anita?- Perguntou a moça loira ao perceber que Stock havia guardado a carta discretamente.
-Não...só mais tarde, agora vou ler o jornal e depois vou estudar.
***
Snape acordou com mais mau humor do que de costume,
“Ainda tinha aquelas malditas corujas voando pelo castelo.”- Pensou com raiva.
Severo respirou fundo ao pensar que receberia novamente mais contas para pagar. E ao sentar-se percebeu que Anita estava lá, sentada com os seus...
Anita Stock era tão diferente das outra, ela lia sempre o jornal pela manhã com o mesmo ar impassível de mistério. E não lia apenas a sessão de fofocas, como muito de suas amigas...ela lia o caderno de economia e as investigações policiais. Talvez fosse por isso que era tão fácil conversar com ela.
“O que ela estaria pensando nesse momento?”
“Daria tudo para olhá-la bem naqueles olhos azuis e ler os seus pensamentos...” - Pensou ao começar a beber seu suco.
“Ela era esperta como poucas, mas não era uma irritante sabe-tudo, intragável, querendo chamar atenção para si...pelo contrário, ela era discreta...sempre sentada no canto da sala, sem querer chamar atenção...mesmo sendo tão linda e inteligente...e ainda por cima, gostava da minha companhia...”
Uma coruja preta de olhos vermelhos, chegou voando como todas as outras, mas ela não foi para um aluno, voou diretamente para o professor de vestes negras. A coruja lançou uma carta e foi embora, sem esperar por por água ou um pouco de comida...
-Boa coisa não deve ser...- Resmungou Snape ao abrir a mensagem.
“Olá Severo,
Espero que esteje aproveitando bem a sua vidinha patética, seu TRAIDOR maldito, pois ela não vai durar muito. Você vai pagar caro pela sua falta de lealdade, seu VERME.”
Não tinha nenhuma assinatura. Ele levantou uma sobrancelha ao ler o conteúdo do mísero papel. Manteve a cabeça fria, apesar da ameaça. Ele quase havia se esquecido que o perigo não havia acabado, ao menos para ele, afinal sempre existiriam bruxos das trevas...
-Ótimo, nada como uma ameaça de morte para começar bem o dia- Ironizou ele ao guardar o bilhete no bolso.
***
Sentada à beira do lago, no seu local preferido, distante dos olhares das outras pessoas, num local só seu. Anita observava a paisagem ao seu redor. Aquele momento tranquilo e calmo era o momento ideal para um passeio, mas ela estava triste demais para aproveitar com os outros. Então, preferiu sair andando sozinha para pensar na vida. Ela pegou a carta que sua irmã havia lhe escrito e começou a ler.
“Querida Anita,
O trabalho aqui no Ministério está me matando, ainda estamos atrás de alguns ex-comensais da morte que estão foragidos, mas fique tranquila, pois pegaremos todos eles. Estou me empenhando ao máximo para capturar Yaxley, noite passada fiquei acordada o tempo todo analisando as pistas. Não me pareci que ele tenha ido para o exterior, como apontarão as primeiras investigações. Qualquer novidade do paradeiro dele eu prometo que será a primeira a saber.
LS”
Anita ficou mais branca do que antes, parecendo estabelecer um “record” naquele momento. Um embrulho subiu-lhe no estômago, tudo girou numa fração de segundos e ela tentou andar mais rápido, apesar de todo o seu mal estar, mas as suas pernas não obedeceram, e ela caiu de joelhos no chão. Agora era tudo escuridão.
Snape havia decidido sair um pouco do castelo e andar pela floresta para ver se encontrava um pouco de paz. Ele estava pensando em Anita todo o tempo, ela estava nos seus sonhos...e nos seus pesadelos, a corvinal lhe fazia rir e chorar. O amor que sentia por ela invadia o seu coração descongelando cada parte dele, fazendo-o sentir como se antes ele estivesse dormente, sufocado em dor, em trevas... E mesmo tentando não pensar nela, ele já estava pensando. Ele sentia a falta dela por onde fosse.
Ele estava passeando displicentemente, pensando naquela noite na qual havia lhe beijada, sentido a doçura dos seus toques na sua pele incrivelmente pálida. Talvez, ele conseguisse agüentar a sua ausência por algum tempo, mas por que essa sensação de vazio só passa quando estou do lado dela...
-Anita!!! – Snape correu na direção da jovem corvinal atirada ao chão
Escuro.Uma voz ao longe a chamava.
-Anita -Ela olhou a face de Snape e sorriu apesar do enjôo que sentia.
-Eu...estou...bem- Terminou a frase que lhe pareceu terrivelmente longa.
-Vou levá-la para a Ala Hospitalar- Snape falou preocupado.
-Por favor, ...não...- Ela segurou fracamente a mão dele.
-Quanta teimosia, você não está bem!!!-Severo aparentava preocupação.
-Só estou um pouco enjoada...pode ir- Anita respondeu lentamente.
-Não seja estúpida, não vou deixá-la aqui!!!- Respondeu indignado.
-Então me leve para o seu quarto...mas o hospital não...
-Isso está fora de questão!!!-Respondeu de forma dura ao colocá-la nos braços.
-Por favor, professor Snape...- Ela colocou a mão branca em seu rosto e implorou com os seus olhos brilhantes.
Silêncio.
-Por favor, Severo...
Ele olhou-a bem nos olhos azuis fuzilando-a por dizer o nome dele, assim daquele modo tão íntimo, daquela forma tão doce e amável.
Mas não houve tempo para repreensões verbais, ela simplesmente desmaiou.
***
Anita acordou nos aposentos do professor Snape, ela estava deitada na cama dele, e ele estava ao seu lado fazendo-a aspirar um preparado de ervas de aroma muito forte, o qual a fez acordar rapidamente.
O mestre estava ao seu lado, seu rosto extremamente tenso, mostrava toda a sua preocupação com ela, suas atenções todas voltadas para a moça a sua frente. O primeiro impulso que Anita teve foi o de sorrir para ele, o segundo foi tentar se levantar.
-Ainda não!!!- Ralhou Snape segurando-a e fazendo-a deitar de novo na cama.
Anita colocou a mão na cabeça, ela ainda não estava forte o bastante para se levantar.
-Como está se sentido? -Inquiriu Snape pesadamente. Segurando-a e olhando-a bem na face.
-Eu estou um pouco enjoada, é só isso...-Ela respondeu sentindo-se mais segura só por estar ali na presença dele, sendo tocada por aquelas mãos.
“Eu poderia fechar os olhos e morrer aqui, eu estaria tão feliz, pois o ultimo aroma que sentiria seria o cheiro dele, o último toque que eu sentiria seria o das mãos dele nas minhas, e a ultima cena que eu veria seria os seus olhos negros nos meus...”
-Não!!!- Ela mexeu-se desajeitadamente ao perceber que ele estava lendo a novamente a sua mente.
-Desculpe-me... - Ele disse suavemente ao perceber que o rosto dela estava corado.
-Prometa que não fará mais isso. -Ela perguntou evitando encará-lo.
-Não farei mais, prometo.- Ele sentiu seu coração pulsar mais forte.
-Palavra de sonserino? – Ela perguntou com um sorriso
-Mais do que isso, lhe dou minha palavra de cavalheiro...
Snape levantou-se e caminhou um pouco pela sala, seus olhos voltaram-se para a lareira que queimava intensamente. Ela estava ali, deitada em sua cama, tão próxima e ao mesmo tempo tão distante.
“Mas por quê todo esse sofrimento?...Ela é maior de idade, eu vi no histórico dela, ela me aceita como sou!!! Por Deus, eu a amo tanto!!!”
Snape adentrou novamente o quarto como um raio, sentou-se na cama e encarou Anita firmemente, como ele queria ter feito a muito tempo.
-Anita, eu simplesmente não agüento mais...
Severo apertou-a contra os seus braços e respirou o perfume dos seus cabelos com paixão. Ele separou-se dela e a olhou bem nos olhos, resistindo a vontade de beijá-la.
-Não agüenta, o quê?- Anita parecia confusa.
-Não agüento desejá-la e não poder tocá-la.- Ele respirou fundo, precisava de coragem para se expor.
- Quero que fique comigo, quero que seja minha...
- Está me pedindo em namoro?
- Sim... e talvez algo mais, se você quiser... – Ele arriscou, seu rosto tenso em espera da resposta.
-Eu quero ser sua...e o algo mais também!!!- Ela balbuciou olhando timidamente para o lado.
-Por favor, me abrace de novo!!!- Ela implorou com os braços estendidos para ele, tentando ter mais coragem.
Severo abraçou-a o mais forte que pode e sentiu novamente o cheiro dos cabelos dela, e Anita pode verificar quanta força aqueles braços podiam ter, sentiu-se segura e protegida, ela encostou a cabeça no peito dele e disse:
-Não vai me deixar de novo?
-Não...-Ele sentiu-se extremamente bobo e feliz, uma sensação nova e constrangedora.
-É uma promessa? -Anita sorriu.
-Pode se dizer que sim...- Ele brincou.
-Já são duas hoje.-Ela rebateu.
-Não se preocupe, vou arrumar um jeito de quebrá-las- Snape sorriu maliciosamente.
-Assim não vale!!!- Ela resmungou baixinho, enquanto Snape inclinava-se para beijá-la.
***
Quando Anita se sentiu melhor, ela saiu discretamente dos aposentos de Snape carregando uma poção na mão para enjôo. Contudo, ela também pode sair de lá com a certeza de que logo iriam se encontrar novamente.
***
Anita descobriu que o seu coração era capaz um amor tão grande, quanto aqueles que a sua mãe dizia haver...aqueles que se contam nos livros, ou o mesmo amor que a sua mãe sentia pelo seu pai...Um amor maior do que a vida e a morte.
Ela estava sentada muito próxima dele, refugiada nos seus braços, onde se sentia segura e protegida. Anita tinha de saber se esse sentimento era recíproco, ou não...A jovem Stock iria descobrir isso hoje:
- Severo... – Anita começou a torturá-lo lentamente, beijando o pescoço dele.
- Sim... – Snape fechou os olhos e sorriu.
- Quero que seja sincero, Você me ama? – Anita começou a beijar o pescoço dele seguida vezes, subindo até quase chegar a boca.
- Sim...- Respondeu Snape tentando manter seu autocontrole.
-Por que sim? – Ela insistiu intercalando beijos e frases.
- Oras, por que sim!!!-Exclamou Snape tentando controlar-se com aqueles pequenos beijos.
- Não, resposta errada... – Respondeu Anita sorrindo.
- Você me ama ou me deseja? – Arriscou a moça com um brilho no olhar.
- Ambos...- Respondeu Snape tentando beijá-la nos lábios.
- Você me deseja por quê? – Provocou Anita desviando do beijo, ao virar o pescoço para a direita.
- Por que você é linda!!! – Exclamou Snape nervoso.
- Não, resposta errada... – Ela disse fingindo beijá-lo, mas retrocedendo ao fim.
- Está comigo só por que me acha atraente? – Insistiu a moça.
- Não, é claro que não!!!- Snape fechou os olhos.
- Então por quê? – Ela sussurrou no ouvido dele.
- Por que você me faz esquecer de todo a dor, e algo dentro de mim quer cuidar de você com todo o amor, quer sentir a suavidade do seu toque e a doçura dos seus beijos todos os dias da minha vida...
- Eu te amo, dear my love... – Anita sorriu e o beijou ardentemente.
“Como aqueles lábios tão vermelhos e inocentes poderiam ser assim, tão perigosos? E como um beijo tão suave e doce pode ser ao mesmo tempo tão ardente e viciante???...Eu poderia compará-lo a uma poção preciosa, com todos os ingredientes colocados na medida certa...os beijos de Anita eram uma misteriosa poção do amor feita só para mim...”
SS.
***
continua...
- Isso não deveria ter acontecido!!! – Foi a primeira coisa que Snape disse ao afastar-se bruscamente de Anita.
-Mas...- Anita tentou balbuciar envergonhada.
-Vá embora, senhorita Stock....é o melhor a se fazer- Snape disse quase para si convencer, ao separar-se dela com todo o seu autocontrole.
Esse golpe foi duro demais para Anita agüentar sem demonstrar qualquer sentimento. Ela correu o mais rápido que pode para o seu quarto. O seu plano era nunca mais sair dali. Havia cometido um erro, um erro fatal...
“Eu deveria saber....”
Snape andou pela sua sala com as mãos trêmulas, o que ele havia feito tinha sido horrível demais. Seguir os seus impulsos daquela maneira era doentio, insano demais, principalmente para ele, que era tão razão. As diferenças entre os dois, e os motivos para evitar a todo custo uma nova aproximação...lhe diziam algo que o seu coração negava com veemência.
“Pela manhã as coisas estariam mais calmas”-Pensou ele.
***
Mas a verdade é que existem amores que só aumentam com o tempo, amores que quanto mais se reprime, mais ele aumenta e que podem chegar a um ponto, onde esse mesmo amor é capaz de sufocar todos os outros antigos amores, devido a sua enorme proporção. Snape amou Liliam, era um fato inegável, mas o seu amor por Anita estava crescendo com proporções perturbadoras, sufocando inclusive o seu antigo amor pela sua falecida amiga.
Capítulo 07 : O Pesadelo
By Anita:
Eu estava novamente naquele dia escuro, ela estava lá de novo, novamente ela me visitava nos meus mais terríveis pesadelos, a minha querida amiga estava lá, caída no chão, seus belos olhos arregalados, numa expressão vidrada e vazia, seu rosto parado como o de uma bela estátua de mármore, não havia dúvidas para ninguém, infelizmente, nem para mim. Ela estava morta. E eu tremia dos pés a cabeça, igualzinho havia sido....
Ela estava morta, mas eu a ouvia em toda a parte que eu fosse:
-Por que você fez isso? Me roubou tudo que era meu!!!!!
- Me perdoe!!! – Gritei entre lágrimas para a imagem do seu belo rosto inerte.
- Por que você não fez alguma coisa...Até quando vai ficar com medo?
Faça alguma coisa, por mim...
-Eu não posso fazer nada, você está morta!!! – Eu gritava descontrolada, enquanto corria por aquele maldito caminho de novo.
A voz suave dela ecoava por todo lugar...
- O meu assassino está vindo...corra!!!!!
-Não!!! – Eu corria loucamente por entre ramos e arbustos, mas sempre acabava escorregando na poça de lama, sempre o mesmo pesadelo...
E Yaxley estava lá, rindo para mim, debochando do meu pavor diante da sua face bruta e perversa, e eu sempre soube que o seu sorriso amarelo estaria nos meus piores pesadelos para me lembrar da minha covardia, e das minhas piores fraquezas.
Anita abriu os olhos, sentia novamente o mesmo embrulho no estômago, aquele mal estar que aquele homem lhe trazia, a doença que era vê-lo, mesmo que em um pesadelo. Ela correu para o banheiro o mais rápido que seus pés podiam, e fez o que sempre fazia depois de um sonho desses, ela provocou tudo que tinha comido.
“Como eu o odeio...”
O pavor de vê-lo não passou ao acordar, pelo contrário, ela continuava enjoada, com medo, mas diferente das outras vezes, ela não poderia correr para a cama de Ludmila Stock, sua irmã não estava ali, não era mais a sua casa. Ela levantou-se fraca, e saiu vagando para o único lugar onde se sentia segura, ela correu até as masmorras do jeito que estava.
***
- Não pode ser, quem será esse infeliz!!! - Snape vestiu seu hobby e foi atender a porta, ele estava de péssimo humor.
- Senhorita Stock? – Ele não pode evitar a surpresa
- Eu preciso de você...não me mande embora!!! – Anita correu e o abraçou
- O que aconteceu, você está gelada e descalça...??? – Perguntou fechando a porta e colocando-a sentada no sofá.
-Eu tive um pesadelo...- Anita cobriu-se com uma manta, a qual ele ofereceu-a.
- Um pesadelo? Sinceramente, senhorita...Acho melhor voltar para a sua cama.- Respondeu Snape relaxando, afinal, um pesadelo para ele não era nada demais.
- Não, não faça isso comigo. Deixe-me ficar aqui!!!- Ela implorou.
- O quê???- Surpreendeu-se Snape, levantando as duas sobrancelhas - Você quer passar a noite aqui???
-Isso é impossível, sinto muito Senhorita Stock...É melhor você voltar para sua cama...eu posso lhe dar uma poção...mas...
- Por Deus, eu imploro, não me deixe sozinha...eu confio em você!!!- No desespero ela ajoelhou-se aos pés deles e começou a implorar.
-Senhorita Stock pare com isso!!!- Snape ficou chocado com o terror da sua expressão, mas a fez se levantar.
- Por favor, tenha piedade....não me deixe!!! –Ela o abraçou com força e começou a chorar nos seus braços.
-Anita... – Snape ficou sem chão.
- Por favor, Severo... – As lágrimas escorriam do rosto dela.
- Não me chame assim- Replicou ele.
-Severo? – Os olhos tristes dela racharam-no ao meio.
- Venha comigo, você pode dormir aqui. – Snape falou duramente, mas acabou levando-a para a cama dele.
- Você vai a onde? – Perguntou Anita ao vê-lo ir em direção a porta
-Vou dormir na sala!!! - Afirmou Snape um pouco aborrecido.
- A sala fica muito longe!!! –Protestou Anita
-Poupe-me de fricotes, a sala está aqui ao lado!!!
- Ah, por Merlin!!! -Exclamou ao vê-la entristecer-se - Não vai chorar de novo!!!
- Não quer que eu durma no chão...não é? – Snape encarou-a e viu que ela sorriu com a idéia.
- Nem pensar!!! – Snape caminhou em direção a sala.
Anita estava de olhos bem abertos, quando o viu voltando para o quarto carregando uma almofada na mão e em seguida, colocando-a no chão perto da cama, onde agora ela estava. Mas Anita não conseguia pegar no sono, mesmo com ele ali, aos pés da cama. Na sua casa, ela sempre dormia juntinho com Ludmila, sua irmã. Ela observou Snape deitado no chão, ele parecia já haver cochilado.
Enquanto isso, Snape estava de olhos fechados, tentando dormir naquele chão duro e frio. Era uma tarefa difícil.
“Sinceramente, eu devo estar ficando louco... por que eu acabo fazendo tudo que ela quer???...aqueles olhos azuis...alguém deveria impedi - lá de falar assim: por favor, Severo....Eu não acredito que eu estou dormindo nesse chão duro por causa dela...Eu deveria ter mandado ela embora, mas ela estava tão desprotegida...que eu..bem..”
Pés delicados e ágeis andavam suavemente pelo quarto.
“....Mas O que é isso agora, não acredito!!!Ela está andando, estou ouvindo os passos dela...O quê???Ela se deitou ao meu lado...muito atrevimento dessa corvinal....Ela está me abraçando???...Eu não posso...sentir sua pele macia...mas teoricamente, eu estou dormindo...e é ela quem está se aproveitando de mim..
(Snape deu um sorriso sonserino)”
Severo abriu os olhos, e ela estava extremamente calma, suas mãos trêmulas agora estavam firmes em volta do corpo dele, ela estava deitada ao seu lado com um anjo, ele podia sentir o calor do corpo dela junto ao seu, e era maravilhoso.
Snape passou cinco minutos observando-a dormir quando finalmente resolveu colocá-la gentilmente de volta na cama, para que ela ficasse mais confortável. Contudo, mesmo deitada na cama, ela segurou a mão dele e pediu suavemente, olhando bem nos seus olhos negros, para não haver nenhuma dúvida
-Fica, por favor...
- Eu não posso...
- Só fica do meu lado...
- Anita, é melhor assim...
- Só dessa vez, eu prometo...
- ...
Snape deitou-se ao lado dela e ela o abraçou novamente, ele fechou os olhos por impulso, não poderia dormir, algo dentro dele lhe dizia que esse era um caminho sem volta, ele estaria sempre preso a ela não importava como. Seus olhos ficaram abertos, boa parte da noite, observando-a dormir serenamente.
***
Pela manhã, corujas voavam pelo salão entregando cartas e mais cartas.
-Olhe que legal, você recebeu uma carta da sua irmã!!!- Comentou Julli limpando o queixo sujo de pudim.
-Foi...- respondeu Anita sem ânimo algum, fingindo comer alguma coisa.
-Eu vi aquela foto do seu porta retrato!- Comentou feliz- Ela é muito parecida com você!!!
-É..., muitas pessoas acham que somos gêmeas – Anita respondeu mecanicamente, pois isso sempre acontecia.
-Mas vocês tem diferenças, como a cor dos olhos...o jeito do cabelo, o dela é curto e fino, o seu s seu é longo e mais grosso.
-Aham..- Respondeu Anita desistindo de tentar comer e olhando o jornal.
-Chegou...é uma carta da minha mãe!!!-Gritou Julli para todos ouvirem.
-Você não vai abrir a sua carta, Anita?- Perguntou a moça loira ao perceber que Stock havia guardado a carta discretamente.
-Não...só mais tarde, agora vou ler o jornal e depois vou estudar.
***
Snape acordou com mais mau humor do que de costume,
“Ainda tinha aquelas malditas corujas voando pelo castelo.”- Pensou com raiva.
Severo respirou fundo ao pensar que receberia novamente mais contas para pagar. E ao sentar-se percebeu que Anita estava lá, sentada com os seus...
Anita Stock era tão diferente das outra, ela lia sempre o jornal pela manhã com o mesmo ar impassível de mistério. E não lia apenas a sessão de fofocas, como muito de suas amigas...ela lia o caderno de economia e as investigações policiais. Talvez fosse por isso que era tão fácil conversar com ela.
“O que ela estaria pensando nesse momento?”
“Daria tudo para olhá-la bem naqueles olhos azuis e ler os seus pensamentos...” - Pensou ao começar a beber seu suco.
“Ela era esperta como poucas, mas não era uma irritante sabe-tudo, intragável, querendo chamar atenção para si...pelo contrário, ela era discreta...sempre sentada no canto da sala, sem querer chamar atenção...mesmo sendo tão linda e inteligente...e ainda por cima, gostava da minha companhia...”
Uma coruja preta de olhos vermelhos, chegou voando como todas as outras, mas ela não foi para um aluno, voou diretamente para o professor de vestes negras. A coruja lançou uma carta e foi embora, sem esperar por por água ou um pouco de comida...
-Boa coisa não deve ser...- Resmungou Snape ao abrir a mensagem.
“Olá Severo,
Espero que esteje aproveitando bem a sua vidinha patética, seu TRAIDOR maldito, pois ela não vai durar muito. Você vai pagar caro pela sua falta de lealdade, seu VERME.”
Não tinha nenhuma assinatura. Ele levantou uma sobrancelha ao ler o conteúdo do mísero papel. Manteve a cabeça fria, apesar da ameaça. Ele quase havia se esquecido que o perigo não havia acabado, ao menos para ele, afinal sempre existiriam bruxos das trevas...
-Ótimo, nada como uma ameaça de morte para começar bem o dia- Ironizou ele ao guardar o bilhete no bolso.
***
Sentada à beira do lago, no seu local preferido, distante dos olhares das outras pessoas, num local só seu. Anita observava a paisagem ao seu redor. Aquele momento tranquilo e calmo era o momento ideal para um passeio, mas ela estava triste demais para aproveitar com os outros. Então, preferiu sair andando sozinha para pensar na vida. Ela pegou a carta que sua irmã havia lhe escrito e começou a ler.
“Querida Anita,
O trabalho aqui no Ministério está me matando, ainda estamos atrás de alguns ex-comensais da morte que estão foragidos, mas fique tranquila, pois pegaremos todos eles. Estou me empenhando ao máximo para capturar Yaxley, noite passada fiquei acordada o tempo todo analisando as pistas. Não me pareci que ele tenha ido para o exterior, como apontarão as primeiras investigações. Qualquer novidade do paradeiro dele eu prometo que será a primeira a saber.
LS”
Anita ficou mais branca do que antes, parecendo estabelecer um “record” naquele momento. Um embrulho subiu-lhe no estômago, tudo girou numa fração de segundos e ela tentou andar mais rápido, apesar de todo o seu mal estar, mas as suas pernas não obedeceram, e ela caiu de joelhos no chão. Agora era tudo escuridão.
Snape havia decidido sair um pouco do castelo e andar pela floresta para ver se encontrava um pouco de paz. Ele estava pensando em Anita todo o tempo, ela estava nos seus sonhos...e nos seus pesadelos, a corvinal lhe fazia rir e chorar. O amor que sentia por ela invadia o seu coração descongelando cada parte dele, fazendo-o sentir como se antes ele estivesse dormente, sufocado em dor, em trevas... E mesmo tentando não pensar nela, ele já estava pensando. Ele sentia a falta dela por onde fosse.
Ele estava passeando displicentemente, pensando naquela noite na qual havia lhe beijada, sentido a doçura dos seus toques na sua pele incrivelmente pálida. Talvez, ele conseguisse agüentar a sua ausência por algum tempo, mas por que essa sensação de vazio só passa quando estou do lado dela...
-Anita!!! – Snape correu na direção da jovem corvinal atirada ao chão
Escuro.Uma voz ao longe a chamava.
-Anita -Ela olhou a face de Snape e sorriu apesar do enjôo que sentia.
-Eu...estou...bem- Terminou a frase que lhe pareceu terrivelmente longa.
-Vou levá-la para a Ala Hospitalar- Snape falou preocupado.
-Por favor, ...não...- Ela segurou fracamente a mão dele.
-Quanta teimosia, você não está bem!!!-Severo aparentava preocupação.
-Só estou um pouco enjoada...pode ir- Anita respondeu lentamente.
-Não seja estúpida, não vou deixá-la aqui!!!- Respondeu indignado.
-Então me leve para o seu quarto...mas o hospital não...
-Isso está fora de questão!!!-Respondeu de forma dura ao colocá-la nos braços.
-Por favor, professor Snape...- Ela colocou a mão branca em seu rosto e implorou com os seus olhos brilhantes.
Silêncio.
-Por favor, Severo...
Ele olhou-a bem nos olhos azuis fuzilando-a por dizer o nome dele, assim daquele modo tão íntimo, daquela forma tão doce e amável.
Mas não houve tempo para repreensões verbais, ela simplesmente desmaiou.
***
Anita acordou nos aposentos do professor Snape, ela estava deitada na cama dele, e ele estava ao seu lado fazendo-a aspirar um preparado de ervas de aroma muito forte, o qual a fez acordar rapidamente.
O mestre estava ao seu lado, seu rosto extremamente tenso, mostrava toda a sua preocupação com ela, suas atenções todas voltadas para a moça a sua frente. O primeiro impulso que Anita teve foi o de sorrir para ele, o segundo foi tentar se levantar.
-Ainda não!!!- Ralhou Snape segurando-a e fazendo-a deitar de novo na cama.
Anita colocou a mão na cabeça, ela ainda não estava forte o bastante para se levantar.
-Como está se sentido? -Inquiriu Snape pesadamente. Segurando-a e olhando-a bem na face.
-Eu estou um pouco enjoada, é só isso...-Ela respondeu sentindo-se mais segura só por estar ali na presença dele, sendo tocada por aquelas mãos.
“Eu poderia fechar os olhos e morrer aqui, eu estaria tão feliz, pois o ultimo aroma que sentiria seria o cheiro dele, o último toque que eu sentiria seria o das mãos dele nas minhas, e a ultima cena que eu veria seria os seus olhos negros nos meus...”
-Não!!!- Ela mexeu-se desajeitadamente ao perceber que ele estava lendo a novamente a sua mente.
-Desculpe-me... - Ele disse suavemente ao perceber que o rosto dela estava corado.
-Prometa que não fará mais isso. -Ela perguntou evitando encará-lo.
-Não farei mais, prometo.- Ele sentiu seu coração pulsar mais forte.
-Palavra de sonserino? – Ela perguntou com um sorriso
-Mais do que isso, lhe dou minha palavra de cavalheiro...
Snape levantou-se e caminhou um pouco pela sala, seus olhos voltaram-se para a lareira que queimava intensamente. Ela estava ali, deitada em sua cama, tão próxima e ao mesmo tempo tão distante.
“Mas por quê todo esse sofrimento?...Ela é maior de idade, eu vi no histórico dela, ela me aceita como sou!!! Por Deus, eu a amo tanto!!!”
Snape adentrou novamente o quarto como um raio, sentou-se na cama e encarou Anita firmemente, como ele queria ter feito a muito tempo.
-Anita, eu simplesmente não agüento mais...
Severo apertou-a contra os seus braços e respirou o perfume dos seus cabelos com paixão. Ele separou-se dela e a olhou bem nos olhos, resistindo a vontade de beijá-la.
-Não agüenta, o quê?- Anita parecia confusa.
-Não agüento desejá-la e não poder tocá-la.- Ele respirou fundo, precisava de coragem para se expor.
- Quero que fique comigo, quero que seja minha...
- Está me pedindo em namoro?
- Sim... e talvez algo mais, se você quiser... – Ele arriscou, seu rosto tenso em espera da resposta.
-Eu quero ser sua...e o algo mais também!!!- Ela balbuciou olhando timidamente para o lado.
-Por favor, me abrace de novo!!!- Ela implorou com os braços estendidos para ele, tentando ter mais coragem.
Severo abraçou-a o mais forte que pode e sentiu novamente o cheiro dos cabelos dela, e Anita pode verificar quanta força aqueles braços podiam ter, sentiu-se segura e protegida, ela encostou a cabeça no peito dele e disse:
-Não vai me deixar de novo?
-Não...-Ele sentiu-se extremamente bobo e feliz, uma sensação nova e constrangedora.
-É uma promessa? -Anita sorriu.
-Pode se dizer que sim...- Ele brincou.
-Já são duas hoje.-Ela rebateu.
-Não se preocupe, vou arrumar um jeito de quebrá-las- Snape sorriu maliciosamente.
-Assim não vale!!!- Ela resmungou baixinho, enquanto Snape inclinava-se para beijá-la.
***
Quando Anita se sentiu melhor, ela saiu discretamente dos aposentos de Snape carregando uma poção na mão para enjôo. Contudo, ela também pode sair de lá com a certeza de que logo iriam se encontrar novamente.
***
Anita descobriu que o seu coração era capaz um amor tão grande, quanto aqueles que a sua mãe dizia haver...aqueles que se contam nos livros, ou o mesmo amor que a sua mãe sentia pelo seu pai...Um amor maior do que a vida e a morte.
Ela estava sentada muito próxima dele, refugiada nos seus braços, onde se sentia segura e protegida. Anita tinha de saber se esse sentimento era recíproco, ou não...A jovem Stock iria descobrir isso hoje:
- Severo... – Anita começou a torturá-lo lentamente, beijando o pescoço dele.
- Sim... – Snape fechou os olhos e sorriu.
- Quero que seja sincero, Você me ama? – Anita começou a beijar o pescoço dele seguida vezes, subindo até quase chegar a boca.
- Sim...- Respondeu Snape tentando manter seu autocontrole.
-Por que sim? – Ela insistiu intercalando beijos e frases.
- Oras, por que sim!!!-Exclamou Snape tentando controlar-se com aqueles pequenos beijos.
- Não, resposta errada... – Respondeu Anita sorrindo.
- Você me ama ou me deseja? – Arriscou a moça com um brilho no olhar.
- Ambos...- Respondeu Snape tentando beijá-la nos lábios.
- Você me deseja por quê? – Provocou Anita desviando do beijo, ao virar o pescoço para a direita.
- Por que você é linda!!! – Exclamou Snape nervoso.
- Não, resposta errada... – Ela disse fingindo beijá-lo, mas retrocedendo ao fim.
- Está comigo só por que me acha atraente? – Insistiu a moça.
- Não, é claro que não!!!- Snape fechou os olhos.
- Então por quê? – Ela sussurrou no ouvido dele.
- Por que você me faz esquecer de todo a dor, e algo dentro de mim quer cuidar de você com todo o amor, quer sentir a suavidade do seu toque e a doçura dos seus beijos todos os dias da minha vida...
- Eu te amo, dear my love... – Anita sorriu e o beijou ardentemente.
“Como aqueles lábios tão vermelhos e inocentes poderiam ser assim, tão perigosos? E como um beijo tão suave e doce pode ser ao mesmo tempo tão ardente e viciante???...Eu poderia compará-lo a uma poção preciosa, com todos os ingredientes colocados na medida certa...os beijos de Anita eram uma misteriosa poção do amor feita só para mim...”
SS.
continua...
Fic: As irmãs Stock (parte 2)
Capítulo 04: Confissões Inconscientes
Anita passou três dias angustiantes, ela dormiu pouco e se isolou ainda mais das pessoas, até mesmo de Julliane, com quem a corvinal mantinha mais contato. A jovem Stock havia pensado muito durante esses dias, tentando encontrar a melhor opção para recuperar a sua caixinha, mas a corvinal reconhecia: estava nervosa demais para tomar uma decisão acertada.Então, resolveu escrever à sua irmã mais velha, Ludmila, com urgência.E assim ela fez:
Ludmila,
“Eu estava testando alguns feitiços de memória e para isso tirei uma das minhas memórias mais antigas da nossa infância. Nesse período chegaram uns colegas e acabou por haver uma certa confusão entre eu e um certo corvinal do colégio, que não vale à pena nem comentar.Contudo, nessa confusão um professor interferiu e apreendeu aquela caixinha que você me deu. Aquela que eu guardo extratos de poções e algumas memórias.
Por favor, não me recrimine pela minha falta de prudência, pois eu já tenho feito isso diariamente. Sofro constantemente com a minha falta de coragem e não consigo tomar nenhuma atitude à respeito. Eu preciso de um conselho seu, tenho pensado em diversas maneiras de recuperar minha caixinha, pensei inclusive em pedi-la diretamente ao professor. O que você acha?”
A moça não teve de esperar muito pela resposta, em poucas horas chegou a uma coruja marrom para a corvinal. Era a resposta da sua coruja urgente. Provavelmente sua agonia chegaria ao fim.
“Anita,
Sinceramente, essa falta de prudência sua me deixa pasmada, você às vezes é tão relapsa, que nem se parece com minha irmã. Não se esqueça que você é uma Stock, e deve agir como tal.
E mais essa de pedir ao professor a caixinha de volta, é claro que não!
você vai pegá-la sem que ele perceba , vai esperar um momento oportuno e surrupiá-la de volta. E não pense em se negar, ou se acovardar, como sempre, você sabe que todos os Stock são corajosos, não me decepcione.
No mais, creio que não devo brigar ainda mais com você, pois toda angustia pela qual tem passado já é suficiente para colocar um pouco de juízo nessa sua cabeça.
Tenha mais cuidado com as coisas que lhe pertencem.
Mila.”
-Não acredito que esperei todo esse tempo por isso!!!-Anita sentiu sua pressão cair.
“Ela diz isso...assim...nessa tranquilidade, como se eu tivesse coragem suficiente para entrar na sala do professor Snape e pegar essa maldita caixinha. Droga!!!Ela nem me dá um conselho que preste!!!Se fosse para
agir feito uma louca irresponsável, eu não pediria ajuda dela.”
-Não sei o que fazer...- Anita suspirou lentamente ao falar.
-O que foi Ani? - Irrompeu Julliane entrando no quarto.
-Nada...estava pensando no teste que de transformação da professora McGonagal- Respondeu Anita escondendo a carta no bolso.
-Ahhh...mas não sei por que você está preocupada, é a melhor aluna da sala!!!
-Exagero seu...- Replicou Anita meio corada.
-Não fique assim...tímida, você sabe que é verdade.Sempre consegue fazer todas as transformações e sempre é a primeira a fazê-las!!!- Afirmou Julli com uma cara de “sou sua fã”.
-Mas para tudo é preciso treino, Julli...E eu estou com muitas aulas.
-Entendo... É isso que dá se matricular em muitas disciplinas, o horário fica cheio!!!
-O que é que tem pro almoço?- Levantou-se Anita, andando em direção à porta, numa tentativa de mudar de assunto.
-Ehhh...acho que hoje tem guisado!!!
-Você deve estar ansiosa então...não é o seu prato preferido? – perguntou a jovem Stock naturalmente.
-É sim...Mas como você sabe?- Julli franziu o cenho.
-Você me disse durante o segundo almoço.
-Foi mesmo... –Julli lembrou-se vagamente
-Então vamos, estou com muita fome.- Anita puxou Julli pelo braço e ambas saíram fazendo conjunturas sobre o teste de transfiguração.
SSssSSssSSssSSssSSssSSss...
-Você não pareci que está com muita fome Anita, eu já estou no meu segundo prato de guisado e você só deu essas colheradas... – Contestou Julliane observando o prato cheio da amiga.
-Minha fome passou quando cheguei aqui.- Anita olhou-a ligeiramente.
-Que estranho...Mas Anita, eu...- Julli foi interrompida.
-Olá moças...- Falou Herbert Westy colocando a mão sobre o ombro de Julli.
-Oi Herbert – Respondeu Julli educadamente.
-Oi – Foi o máximo que Anita conseguiu dizer.
-Ehhh...Bem...eu queria pedir desculpas por aquilo tudo que aconteceu na biblioteca...- Westy falou sem jeito.
-Ohhh Westy, que besteira...tudo bem!!! –Falou Julliane com um sorriso doce.
-Obrigada Julli, sempre soube que você era muito legal. –Disse Westy sinceramente.
-Mas Anita, quanto a você...me desculpa? - Falou Herbert mansamente, voltando sua atenção para a jovem de olhos azuis.
-Por mim...- Falou Anita dando de ombros.
-Ok...- Disse Herbert observando a expressão dos olhos de Anita, que eram assustadoramente severos e superiores.
-Eu ia falar mais tarde com o professor Snape para explicar tudo, mas o John me disse ele vai sair mais tarde e só vai voltar amanhã...sabe como é... sábado, ele não sai muito , a diretora não recusou o pedido dele, ele não tinha nenhuma aula e podia se ausentar tranquilamente...algo assim, o John não me explicou tudo direito, ele é meio enrolado, vocês sabem....
-Quer um conselho Herbert, não procure o Snape...será pior.- Anita cortou o corvinal.
-Mas...Anita, eu...- Herbert chocou-se com a sinceridade daqueles olhos azuis.
-Tchau gente, eu tenho monitoria de transfiguração agora!!!- Dizendo isso, Anita levantou-se e saiu.
***
A monitora saiu cansada ao final das aulas, Anita ajudou muito dos seus colegas que tinham dificuldade com a matéria, mas todo aquele esforço valia à pena, a jovem riu quando Diogo transfigurou os óculos Hanna em uma ratazana felpuda!!!Foi realmente hilário os gritos de terror da menina, correndo atrás dos seus óculos peludos.E Diogo gaguejando e pedindo desculpas...
Mas ao terminar a monitoria, Anita resolveu dar um passeio pelo castelo, quem sabe o vento noturno poderia lhe trazer algum bem?
SsSssssSss
Snape resolveu voltar para Hogwarts mais cedo, afinal já estava cansado demais para ouvir qualquer coisa que Lucio lhe dissesse. Ele chegou meio alto, após muitas horas de bebedeira regada a wisk.
Tudo para Severo parecia monótono e cansativo, a sua vida estava totalmente sem sentido, ele vivia por viver, já não tinha um por quê. E isso é a pior coisa que pode acontecer a qualquer pessoa, bruxo ou trouxa.
Severo abriu a porta devagar e silenciosamente, carregando uma garrafa de wisk na mão. Deu uma olhada ao redor dos seus aposentos e tudo estava tranqüilo. Igual como havia deixado, sentiu novamente o dissabor de não ter um motivo para voltar para àquele quarto, para aquele castelo especificamente. Ele tinha seu trabalho como professor, mas chega um momento na vida de um homem que o profissional já não é o suficiente. Severo começou a tirar seu casaco e como estava mais para bêbado do que sóbrio, começou a falar para as paredes. Suas velhas amigas de tristeza e desabafo:
-Nem pra morrer aquele infeliz do Potter me deixa em paz, tinha que bancar o heroizinho, feito o intrometido do pai dele e me salvar daquela cobra maldita.... –Snape tinha amargura na voz.
-Como é o inferno querida Nagini?....hahahaha!!!- E do riso o professor foi a ironia.
-Ohhh...uma pena eu estar desacordado...perdi aquele infeliz do Voldmort ser morto pelo piralho Potter...sim milord...ao inferno você e sua cobra maldita, milord!!!! – Dá ironia ao orgulho.
-Imagine a cara dele, ao saber que Eu, Severo Prince Snape me vinguei...por mim....por Lili...por Dumbledore.
-Mi Lord achava-se tão inteligente...e não passava de um prepotente!!!...- E olhando para o retrato em cima da mesa ele continuou- Do desprezo a constatação.
_Mas, inteligente mesmo era Alvo Dumbledore. Que armou todo aquele plano maquiavélico, todas as conjunturas...
Ele sentou-se no sofá do canto, seu semblante externava toda a dor que sentia, o professor sabia que perdoar era uma tarefa difícil para os meros mortais, principalmente quando a magoa era profunda demais para isso. Ele tinha plena consciência dos seus erros e de suas limitações.
Respirou fundo e contemplou o vazio. Mas, a visão do velho bruxo não saiu da sua mente.
_Como pode fazer isso comigo? Dar-me essa missão infeliz, tirar-lhe a própria vida... meu amigo, como pode me pedir isso... e Snape emocionou-se ao lembrar,lágrimas escorreram pela sua face pálida.
O professor ficou quieto em sua poltrona e com uma garrafa na mão, ele olhou o vidro em sua mão, saboreando a sua própria dor. E em seguida, balançou a garrafa com certo desprezo, bebendo mas um gole daquela bebida amarga como veneno, que estranhamente o acalmava... Severo empurrou a garrafa vazia para o canto e finalmente sentiu a realidade se distanciar. O sono estava finalmente chegando.
E para sua surpresa, Snape descobriu que apesar de todo o amargor. Ele ainda sentia seu coração, o qual ainda batia apesar de todas as decepções e da quase falta de ar. O professor pensou na sua própria desgraça, em toda a sua vida... E percebeu,que ele estava mais uma vez...
- Sozinho... – As palavras saíram amargas, acabaram-se as ironias.
O professor de DCAT fechou os olhos e dormiu na poltrona.
SSssSSssSSssSSssSSsSS
A noite está fria e úmida.
Depois de uns dez minutos de espera,
Uma jovem sai lentamente detrás do armário.
Anita pensou inicialmente em sair correndo ao ouvir o barulho de alguém chegando, provavelmente seria ele. Ela tinha de pensar rápido, e foi o que ela fez, se corresse, como foi a sua primeira vontade, ela com certeza seria pega e teria a maior detenção de toda Hogwarts.
Além de ter de explicar muitas coisas para o seu professor, e falar era a ultima coisa que ela queria. Então, apelou para a única solução que lhe veio à mente, era a maneira que ela tinha de sair dali imune: Ela deveria se esconder, e só sair quando fosse seguro.
Anita deveria esperar que ele dormisse e assim pudesse sair sorrateiramente dali. O que ela, sinceramente, não esperava era ver o professor Snape entrar no seu quarto completamente embriagado,e falar confidencias tão pessoais que Anita correu ao ouvi-las, ela desejou intensamente não escutá-las, tentou colocar as mãos nos ouvidos, inútil... Ela acabou ouvindo. A corvinal sentiu-se tão mal por ele, por seu sofrimento, dilacerando seu peito a cada palavra amarga e triste que ele proferia, a jovem controlou-se para não consolá-lo quando percebeu, atônita, que ele chorava...se arrependia...e se via sozinho, ao ponto preferir não ter sido salvo. Anita o entendia completamente, mais do que queria.
A jovem Stock o viu deitado, esparramado de qualquer jeito no sofá, algo dentro do seu coração sentiu mais do que a jovem poderia confessar, e então silenciosamente ela foi até a cama dele e pegou uma manta muito grossa e felpuda, e cobriu-o delicadamente. Severo pareceu mexer-se e Anita sentiu seu coração tentar sair pela boca, mas ele não saiu...acabou voltando ao ver que o professor havia apenas se inclinado mais um pouco.
E como numa doce loucura, que invadiu sua mente, ela ficou observando-o deitado, sua expressão mais serena do que o normal. Contudo, agora a corvinal sabia o que realmente se passava dentro daquele coração sonserino, e então Anita ajoelhou-se devagar aos pés da poltrona e não pode controlar o impulso forte que a tomou conta por completo, e lentamente ela foi aproximando-se de Severo, e seus lábios beijaram delicadamente as mãos deles. Foi um contato suave e delicado, alguns breves segundos. Ela aproximou-se da orelha dele e sussurrou algo que a moça não sentiu a menor vergonha de falar, afinal, ele jamais saberia o que aconteceu naquela noite.
Ela sorriu.
_Você não está mais sozinho. Eu estou aqui!!!- Anita estava firme em sua resolução.
E recuperando-se, a corvinal levantou sorrateiramente e saiu trêmula dali, seu rosto pálido contrastando com os olhos azuis, davam a sua face um ar indefeso, talvez o seu verdadeiro rosto. Anita carregava sua preciosa caixa de poções, orgulhosa de sua coragem, apesar de estar com as pernas bambas. Todavia, seu pensamento não estava mas na caixinha de lembranças, estava lá, no quarto do mestre de DCAT deitado numa poltrona.
Capítulo 05: O Mar em Ressaca
Snape acordou cedo, remexeu-se na poltrona, seu corpo estava todo moído,
“Não devia ter tomado tanto wisk...” -Pensou aborrecido.
Agora o professor estava com uma ressaca monstruosa, suas têmporas dilatavam-se, enquanto seu humor piorava paulatinamente. Severo havia tido um sonho extremamente inapropriados com a bela senhorita Stock, durante a noite passada, ela invadia seu quarto e lhe beijava com aqueles lábios vermelhos... Ele mal sabia que aquele sonho, aparentemente tão real, se repetiria incansavelmente todas as noites...Daquele dia em diante.
-Maldita bebedeira... -Constatou Snape passando a mão pelos cabelos negros em total desalinho.
_E mais essa agora, era o que faltava...Anita Stock !!!- Disse Severo lavando o rosto e contemplando o estrago da ultima noite no espelho.
Ele sentiu curiosidade de saber, por que motivos a senhorita Stock não havia lhe procurado para pedir sua caixinha de madeira de volta, essa seria uma bela chance para Snape poder observar aqueles olhos azuis oceanos novamente, bem de perto...
O professor foi até a sua escrivaninha e a abriu, olhou exaltado e percebeu perplexo, que a caixinha de madeira não estava mais lá...Ele inicialmente pensou na possibilidade de ter se confundido, mas logo ele percebeu que não havia nenhuma confusão. Haviam aproveitado sua ausência para entrar nos seus aposentos e furtá-lo. Ele remexeu tudo com ódio, e viu que todo os seus objetos estavam no seu devido lugar...só faltava um coisinha...a caixa da senhorita Stock...
_Corvinal de uma figa!!!- Snape rangeu os dentes.
Era o motivo que ele precisava para ver Anita Stock.
SSssSSssSSssSSssSSssSSssSS...
Anita estava sentada ao lado de fora, aproveitando finalmente um pouco de Sol, depois de meses de frio intenso, agora havia um pouco de luz. E a corvinal poderia aproveitar um pouco desse calor, curtindo a calma daquele dia, completamente sozinha, para observar o lago.
_Senhorita Stock, queria falar justamente com você – Os olhos de Snape estreitaram-se ao vê-la.
-Claro professor. – Anita deu toda atenção a Severo.
-A senhorita está em detenção o mês inteiro, começando hoje a noite... Limpando os troféus da escola...-Snape sorriu ao ver no rosto da moça uma ruga de preocupação.
-Como assim professor???...Eu não fiz nada...
-Acredito que invadir os aposentos de um professor e pegar algo sem a autorização do mesmo, seja alguma coisa...senhorita. –Snape jogou todo seu sarcasmo na cara da corvinal.
-... –Anita emudeceu, ele sabia de tudo!!!
- Hoje as sete horas com o zelador Filtch!!! –Snape sorriu com o canto da boca, ele havia se contentado com o silencio dela. Havia vencido.
E com essa certeza, Severo virou-se e saiu em direção ao Castelo, enquanto Anita começava a recobrar as cores. Aparentemente dos males os menores, um mês seria um preço baixo demais. Ela sorriu.
“Um mês passa rápido.”
SSssSSssSSssSSssSSssSSssSS....
Assim que pode, Anita Stock terminou seus afazeres da detenção, e entrou pelos corredores, ela estava moída. Limpeza não é um trabalho fácil, principalmente polindo troféus de um castelo tão grande com o de Hogwarts. E ao contrário do que a sua razão lhe mandava fazer, seus pés não a levaram em direção ao salão comunal. Ela foi direto para as masmorras, bem longe dos corvinais. Ela deu três batidas na porta a sua frente. Estava aonde seu coração a mandava estar.
_Professor Snape, o senhor poderia me dar cinco minutos, por favor - Anita Stock apareceu na porta dos aposentos do temido professor Snape.
-Espero que seja importante senhorita Stock.-Snape surpreendeu-se, mas não aparentou mais do que aborrecimento em vê-la.
-Ao menos pra mim, é importante...eu sei que o senhor é um bruxo ocupado. –Ela sorriu e Snape olhou-a friamente, ao abrir a porta pra que ela entrasse.
A sala era confortável, repleta de livros, a moça sentia-se à vontade ali , havia duas cadeiras de madeira e um sofá. Ela sentou-se onde o professor havia indicado, numa das cadeiras de madeira forte e resistente. Ela passou os olhos pela parede para buscar um pouco de coragem para falar, então começou:
_Eu vim para lhe agradecer....- Ela o olhou nos olhos.
-Eu lhe dei uma suspensão, não um prêmio, senhorita Stock. – falou Snape ironicamente, mas demonstrando total desagrado com a atitude da moça.
-Eu sei...-Ela sorriu tristemente ao vê-lo olhá-la daquela maneira.
Anita olhou suas mãos brancas e suaves, vermelhas de tanto esfregar os troféus, ela estava visivelmente cansada. E Snape, sinceramente arrependeu-se de ter lhe dado um castigado tão severo.
-Mas não falo disso...senhor. Eu me refiro do episódio na biblioteca, foi muito gentil de sua parte.-Ele a interrompeu.
-Eu só fiz minha obrigação. - Respondeu secamente.
-Eu sei que se não quisesse....- Anita falou timidamente, mas foi interrompida.
-O senhor Westy ofendeu-me. Então eu interferi. Foi apenas isso...não precisa vir até aqui agradecer-me por nada. Não fiz pela senhorita.
-Mas eu só quis lhe agradecer. –Anita sentiu seu coração partir lentamente a cada palavra dura dele.
-Então se é só isso- Ele bruscamente abriu a porta com um feitiço, não fazendo mais do que um mero muxoxo.
-Eu...- Ela levantou-se e deu uns passos em direção a porta, mas voltou novamente.
-Vá embora senhorita Stock.- Snape fez um muxoxo de desagrado.
Anita sentiu todo a dureza que aquelas palavras representavam, seu mundo desmoronava novamente a sua frente, ela foi aos aposentos dele buscando alívio, consolo e proteção, talvez...*amizade*, mas ela não encontrou nada disso, era tudo frio, seco...
A jovem Stock sabia que havia calor em alguma parte, e a moça lembrou-se das coisas que queria esquecer...Seu coração estava atormentado depois de todos aqueles acontecimentos, ela queria poder contar toda a verdade para ele, mas era covarde demais para isso.
Os olhos dela encontraram com os deles e ela o encarou-o tremula, implorando silenciosamente que ele visse a verdade nos seus olhos. Mas a corvinal não acreditava mais em contos de fadas, a vida real era bem diferente de todas as histórias que a sua mãe lhe contado...Aquele lugar estava tão frio, que ela quase podia ouvir um súplica muda das velhas paredes, ecoando pelos ares...pedindo um pouco de calor. Talvez não fosse aquele lugar, talvez fosse ela.
Anita tentou falar, mas os seus lábios se abriram e fecharam sem exaurir nenhuma palavra. A jovem Stock não pode evitar, algo tão espontâneo, seus olhos azuis tão marejados, rapidamente encheram-se como o oceano e transbordaram envoltos por um dor tão profunda, que comoveria qualquer pessoa, qualquer um que tivesse um coração, mesmo que fosse peludo, se sentiria partir-se ao meio ao vê-la.
Snape não foi diferente.
-Mas o que é isso senhorita Stock, não é para tanto!!! – Irrompeu ele em resposta as lágrimas dele.
Anita começou a chorar ainda mais, sentia-se envergonhada e fraca...
“Patético, odeio me sentir assim...tão frágil” – Ela pensou com sigo mesma.
-Sente-se, acalme-se. Tenha calma!!!.-Estranhamente o choro dela o incomodava.
E isso era estranho, totalmente novo para ele, que se considerava um homem frio...Snape estava acostumado a todo o tipo de ataque nervoso, ou chilique que seus alunos davam, isso não o afetava mais...Mas por que ele estava assim...tão comovido com uma simples corvinal???!!!Ele não sabia dizer.
-Calma...- Snape deu um liquido para a moça beber, mas a jovem recusou-se e sentou-se na poltrona mais confortável. Severo não entendeu a recusa,e insistiu:
-Não tenha medo, é apenas um calmante, você se sentirá melhor.
Anita não respondeu, ela simplesmente aproximou-se mais do professor e o abraçou, encostando sua cabeça no peito dele. Snape podia sentir a respiração rápida dela e suas mãos delicadas agarradas no seu corpo, como se sua vida dependesse disso. Severo iria fazer menção pra que ela o soltasse, mas não conseguia se mover, a respiração dela estava acalmando-se paulatinamente e Severo sentia agora o corpo dela junto ao seu. E era uma sensação maravilhosa. Anita olhou-o no fundo dos seus olhos negros, e disse ainda um pouco tensa:
-Não minta pra mim...eu sinto o seu calor...você não é frio desse modo que quer tanto aparentar, eu sei.- E dizendo isso, ela aproximou o seu rosto do dele e acariciou a face pálida do homem a sua frente, que a tanto tempo não recebia um carrinho tão sincero e delicado. Ele sentiu o poder daquele toque, o toque daquelas mãos era um sonho, que ele vivia acordado. Com um impulso, ele segurou a mão dela, ia negar-se.
-Por favor...é só um carinho...- Ela sussurrou numa suplica doce e amável.
Snape sentiu suas forças se anularem ao encontrar os olhos delas, ele soltou a mão da bela Stock, e segurou a cabeça da jovem com firmeza, passando suas mãos ágeis pelos cabelos volumosos dela, ele estava hipnotizado pela corvinal. E ele teria ido ainda mais além se ela não o impedido:
- Pare!!!- Anita balbuciou fracamente.
- Por quê? - Ele inquiriu apertando-a mais contra si.
- Eu estou com medo... - Ela falou fracamente.
- Está com medo... - Afirmou Snape sarcasticamente.
Severo tentou se afastar dela, sentindo novamente o sabor amargo da rejeição, o qual ele disfarçada atrás de um sorriso de superioridade e palavras irônicas e sarcásticas.
- Eu vou deixá-la descansando... – Ele disse ao tentar se levantar.
- Não, por favor, não me deixe...fique comigo. - Ela o segurou com toda a pouca força que ainda tinha.
- Eu não quero lhe causar mais medo, ou horror? - Ele torturou-lhe venenosamente.
- Não, você não me entendeu, eu não sinto medo de você... muito menos horror... - Ela disse docemente apoiando a cabeça no peito dele.
- Eu não entendo você, senhorita Stock...Tudo isso me pareci no mínimo contraditório. - Snape sentia o toque de Anita, e ela era tão suave e delicada...tão doce que ele sentia-se verdadeiramente atraído por ela.
- Eu queria poder lhe dizer, mas não tenho coragem...- Ela respondeu sem encará-lo.
- Eu posso ajudá-la...- Severo levantou o queixo dela delicadamente, e deixou-se penetrar nos olhos azuis revoltos...Ele arrumaria um modo se saber a verdade.
“Oh Deus, como eu quero tocá-lo...beijá-lo...mas eu tenho medo de fazer algo errado...tenho medo dele não gostar de mim...tenho medo que ele descubra o quanto tudo....Eu queria poder contar tudo a ele...mas eu não consigo...tenho muito medo...eu sei que ele me protegeria...mas eu não consigo...”
-Ohhh, pare!!! Você está lendo a minha mente!!!- Anita fechou os olhos para quebrar o contato visual enquanto falava envergonhada:
-Nunca mais faça isso!!! - Ela repetiu ainda de olhos fechados.
Anita não ouviu nenhuma palavra de volta...nenhuma resposta...
“Devo ter feito tudo errado, agora, ele deve me achar tão patética!!!” - Pensou enquanto recuperava a respiração.
- É melhor eu ir embora... -Balbuciou corada, agora de olhos abertos, mas ainda sem encará-lo.
- Não, ainda não...- Ele respondeu segurando a cabeça dela e acariciando os seus cabelos gentilmente.
- Não tenha medo... - Sanape acariciou o rosto da bela corvinal... e foi aproximando-se lentamente dela, tão próximos que ela sentia a respiração dele na sua face.
- Eu... - Anita disse fracamente.
-Shhhhh... - Snape colocou seus dedos gentilmente sobre os lábios dela, fazendo-a silenciar, ela encarou-o quase como se estivesse assombrada, seus olhos azuis arregalados. Mas ela não se moveu nem um centímetro, deixou os lábios dele tocarem os seus suavemente. Agora, ela o observava trêmula, mas resoluta, simplesmente fechou os olhos.
Era escuridão...
Anita sentiu seu corpo tremer, uma mistura de medo e desejo, mas ela resolveu enfrentar o seu medo...Dessa vez, ela não se recusou a experimentar o sabor daquele beijo. Ela se deixou ser guiada pela gentileza do toque dele, dessa vez sentindo amor e não medo...
Em uma noite estrelada e silenciosa, num castelo velho e distante, o vento corria silencioso pelos corredores, procurando algo para observar. O insulano chegou sorrateiro nas masmorras, estranhamente sem frio ou solidão, ele o único a testemunhar aquela mudança, aquele segredo: Dois corações que batiam juntos no mesmo ritmo. Agora eram um só. Só ele, senhor dos ventos, poderia reconhecer em toda a sua vivencia secular um verdadeiro amor!!!O vento sorriu e resolveu deixá-los à sós, acabou dobrando e seguiu pelos corredores. Assobiando canções românticas, as quais homem nenhum poderia entender ou explicar.
Shhhhhhhhhhh.......
***
continua
Anita passou três dias angustiantes, ela dormiu pouco e se isolou ainda mais das pessoas, até mesmo de Julliane, com quem a corvinal mantinha mais contato. A jovem Stock havia pensado muito durante esses dias, tentando encontrar a melhor opção para recuperar a sua caixinha, mas a corvinal reconhecia: estava nervosa demais para tomar uma decisão acertada.Então, resolveu escrever à sua irmã mais velha, Ludmila, com urgência.E assim ela fez:
Ludmila,
“Eu estava testando alguns feitiços de memória e para isso tirei uma das minhas memórias mais antigas da nossa infância. Nesse período chegaram uns colegas e acabou por haver uma certa confusão entre eu e um certo corvinal do colégio, que não vale à pena nem comentar.Contudo, nessa confusão um professor interferiu e apreendeu aquela caixinha que você me deu. Aquela que eu guardo extratos de poções e algumas memórias.
Por favor, não me recrimine pela minha falta de prudência, pois eu já tenho feito isso diariamente. Sofro constantemente com a minha falta de coragem e não consigo tomar nenhuma atitude à respeito. Eu preciso de um conselho seu, tenho pensado em diversas maneiras de recuperar minha caixinha, pensei inclusive em pedi-la diretamente ao professor. O que você acha?”
A moça não teve de esperar muito pela resposta, em poucas horas chegou a uma coruja marrom para a corvinal. Era a resposta da sua coruja urgente. Provavelmente sua agonia chegaria ao fim.
“Anita,
Sinceramente, essa falta de prudência sua me deixa pasmada, você às vezes é tão relapsa, que nem se parece com minha irmã. Não se esqueça que você é uma Stock, e deve agir como tal.
E mais essa de pedir ao professor a caixinha de volta, é claro que não!
você vai pegá-la sem que ele perceba , vai esperar um momento oportuno e surrupiá-la de volta. E não pense em se negar, ou se acovardar, como sempre, você sabe que todos os Stock são corajosos, não me decepcione.
No mais, creio que não devo brigar ainda mais com você, pois toda angustia pela qual tem passado já é suficiente para colocar um pouco de juízo nessa sua cabeça.
Tenha mais cuidado com as coisas que lhe pertencem.
Mila.”
-Não acredito que esperei todo esse tempo por isso!!!-Anita sentiu sua pressão cair.
“Ela diz isso...assim...nessa tranquilidade, como se eu tivesse coragem suficiente para entrar na sala do professor Snape e pegar essa maldita caixinha. Droga!!!Ela nem me dá um conselho que preste!!!Se fosse para
agir feito uma louca irresponsável, eu não pediria ajuda dela.”
-Não sei o que fazer...- Anita suspirou lentamente ao falar.
-O que foi Ani? - Irrompeu Julliane entrando no quarto.
-Nada...estava pensando no teste que de transformação da professora McGonagal- Respondeu Anita escondendo a carta no bolso.
-Ahhh...mas não sei por que você está preocupada, é a melhor aluna da sala!!!
-Exagero seu...- Replicou Anita meio corada.
-Não fique assim...tímida, você sabe que é verdade.Sempre consegue fazer todas as transformações e sempre é a primeira a fazê-las!!!- Afirmou Julli com uma cara de “sou sua fã”.
-Mas para tudo é preciso treino, Julli...E eu estou com muitas aulas.
-Entendo... É isso que dá se matricular em muitas disciplinas, o horário fica cheio!!!
-O que é que tem pro almoço?- Levantou-se Anita, andando em direção à porta, numa tentativa de mudar de assunto.
-Ehhh...acho que hoje tem guisado!!!
-Você deve estar ansiosa então...não é o seu prato preferido? – perguntou a jovem Stock naturalmente.
-É sim...Mas como você sabe?- Julli franziu o cenho.
-Você me disse durante o segundo almoço.
-Foi mesmo... –Julli lembrou-se vagamente
-Então vamos, estou com muita fome.- Anita puxou Julli pelo braço e ambas saíram fazendo conjunturas sobre o teste de transfiguração.
SSssSSssSSssSSssSSssSSss...
-Você não pareci que está com muita fome Anita, eu já estou no meu segundo prato de guisado e você só deu essas colheradas... – Contestou Julliane observando o prato cheio da amiga.
-Minha fome passou quando cheguei aqui.- Anita olhou-a ligeiramente.
-Que estranho...Mas Anita, eu...- Julli foi interrompida.
-Olá moças...- Falou Herbert Westy colocando a mão sobre o ombro de Julli.
-Oi Herbert – Respondeu Julli educadamente.
-Oi – Foi o máximo que Anita conseguiu dizer.
-Ehhh...Bem...eu queria pedir desculpas por aquilo tudo que aconteceu na biblioteca...- Westy falou sem jeito.
-Ohhh Westy, que besteira...tudo bem!!! –Falou Julliane com um sorriso doce.
-Obrigada Julli, sempre soube que você era muito legal. –Disse Westy sinceramente.
-Mas Anita, quanto a você...me desculpa? - Falou Herbert mansamente, voltando sua atenção para a jovem de olhos azuis.
-Por mim...- Falou Anita dando de ombros.
-Ok...- Disse Herbert observando a expressão dos olhos de Anita, que eram assustadoramente severos e superiores.
-Eu ia falar mais tarde com o professor Snape para explicar tudo, mas o John me disse ele vai sair mais tarde e só vai voltar amanhã...sabe como é... sábado, ele não sai muito , a diretora não recusou o pedido dele, ele não tinha nenhuma aula e podia se ausentar tranquilamente...algo assim, o John não me explicou tudo direito, ele é meio enrolado, vocês sabem....
-Quer um conselho Herbert, não procure o Snape...será pior.- Anita cortou o corvinal.
-Mas...Anita, eu...- Herbert chocou-se com a sinceridade daqueles olhos azuis.
-Tchau gente, eu tenho monitoria de transfiguração agora!!!- Dizendo isso, Anita levantou-se e saiu.
***
A monitora saiu cansada ao final das aulas, Anita ajudou muito dos seus colegas que tinham dificuldade com a matéria, mas todo aquele esforço valia à pena, a jovem riu quando Diogo transfigurou os óculos Hanna em uma ratazana felpuda!!!Foi realmente hilário os gritos de terror da menina, correndo atrás dos seus óculos peludos.E Diogo gaguejando e pedindo desculpas...
Mas ao terminar a monitoria, Anita resolveu dar um passeio pelo castelo, quem sabe o vento noturno poderia lhe trazer algum bem?
SsSssssSss
Snape resolveu voltar para Hogwarts mais cedo, afinal já estava cansado demais para ouvir qualquer coisa que Lucio lhe dissesse. Ele chegou meio alto, após muitas horas de bebedeira regada a wisk.
Tudo para Severo parecia monótono e cansativo, a sua vida estava totalmente sem sentido, ele vivia por viver, já não tinha um por quê. E isso é a pior coisa que pode acontecer a qualquer pessoa, bruxo ou trouxa.
Severo abriu a porta devagar e silenciosamente, carregando uma garrafa de wisk na mão. Deu uma olhada ao redor dos seus aposentos e tudo estava tranqüilo. Igual como havia deixado, sentiu novamente o dissabor de não ter um motivo para voltar para àquele quarto, para aquele castelo especificamente. Ele tinha seu trabalho como professor, mas chega um momento na vida de um homem que o profissional já não é o suficiente. Severo começou a tirar seu casaco e como estava mais para bêbado do que sóbrio, começou a falar para as paredes. Suas velhas amigas de tristeza e desabafo:
-Nem pra morrer aquele infeliz do Potter me deixa em paz, tinha que bancar o heroizinho, feito o intrometido do pai dele e me salvar daquela cobra maldita.... –Snape tinha amargura na voz.
-Como é o inferno querida Nagini?....hahahaha!!!- E do riso o professor foi a ironia.
-Ohhh...uma pena eu estar desacordado...perdi aquele infeliz do Voldmort ser morto pelo piralho Potter...sim milord...ao inferno você e sua cobra maldita, milord!!!! – Dá ironia ao orgulho.
-Imagine a cara dele, ao saber que Eu, Severo Prince Snape me vinguei...por mim....por Lili...por Dumbledore.
-Mi Lord achava-se tão inteligente...e não passava de um prepotente!!!...- E olhando para o retrato em cima da mesa ele continuou- Do desprezo a constatação.
_Mas, inteligente mesmo era Alvo Dumbledore. Que armou todo aquele plano maquiavélico, todas as conjunturas...
Ele sentou-se no sofá do canto, seu semblante externava toda a dor que sentia, o professor sabia que perdoar era uma tarefa difícil para os meros mortais, principalmente quando a magoa era profunda demais para isso. Ele tinha plena consciência dos seus erros e de suas limitações.
Respirou fundo e contemplou o vazio. Mas, a visão do velho bruxo não saiu da sua mente.
_Como pode fazer isso comigo? Dar-me essa missão infeliz, tirar-lhe a própria vida... meu amigo, como pode me pedir isso... e Snape emocionou-se ao lembrar,lágrimas escorreram pela sua face pálida.
O professor ficou quieto em sua poltrona e com uma garrafa na mão, ele olhou o vidro em sua mão, saboreando a sua própria dor. E em seguida, balançou a garrafa com certo desprezo, bebendo mas um gole daquela bebida amarga como veneno, que estranhamente o acalmava... Severo empurrou a garrafa vazia para o canto e finalmente sentiu a realidade se distanciar. O sono estava finalmente chegando.
E para sua surpresa, Snape descobriu que apesar de todo o amargor. Ele ainda sentia seu coração, o qual ainda batia apesar de todas as decepções e da quase falta de ar. O professor pensou na sua própria desgraça, em toda a sua vida... E percebeu,que ele estava mais uma vez...
- Sozinho... – As palavras saíram amargas, acabaram-se as ironias.
O professor de DCAT fechou os olhos e dormiu na poltrona.
SSssSSssSSssSSssSSsSS
A noite está fria e úmida.
Depois de uns dez minutos de espera,
Uma jovem sai lentamente detrás do armário.
Anita pensou inicialmente em sair correndo ao ouvir o barulho de alguém chegando, provavelmente seria ele. Ela tinha de pensar rápido, e foi o que ela fez, se corresse, como foi a sua primeira vontade, ela com certeza seria pega e teria a maior detenção de toda Hogwarts.
Além de ter de explicar muitas coisas para o seu professor, e falar era a ultima coisa que ela queria. Então, apelou para a única solução que lhe veio à mente, era a maneira que ela tinha de sair dali imune: Ela deveria se esconder, e só sair quando fosse seguro.
Anita deveria esperar que ele dormisse e assim pudesse sair sorrateiramente dali. O que ela, sinceramente, não esperava era ver o professor Snape entrar no seu quarto completamente embriagado,e falar confidencias tão pessoais que Anita correu ao ouvi-las, ela desejou intensamente não escutá-las, tentou colocar as mãos nos ouvidos, inútil... Ela acabou ouvindo. A corvinal sentiu-se tão mal por ele, por seu sofrimento, dilacerando seu peito a cada palavra amarga e triste que ele proferia, a jovem controlou-se para não consolá-lo quando percebeu, atônita, que ele chorava...se arrependia...e se via sozinho, ao ponto preferir não ter sido salvo. Anita o entendia completamente, mais do que queria.
A jovem Stock o viu deitado, esparramado de qualquer jeito no sofá, algo dentro do seu coração sentiu mais do que a jovem poderia confessar, e então silenciosamente ela foi até a cama dele e pegou uma manta muito grossa e felpuda, e cobriu-o delicadamente. Severo pareceu mexer-se e Anita sentiu seu coração tentar sair pela boca, mas ele não saiu...acabou voltando ao ver que o professor havia apenas se inclinado mais um pouco.
E como numa doce loucura, que invadiu sua mente, ela ficou observando-o deitado, sua expressão mais serena do que o normal. Contudo, agora a corvinal sabia o que realmente se passava dentro daquele coração sonserino, e então Anita ajoelhou-se devagar aos pés da poltrona e não pode controlar o impulso forte que a tomou conta por completo, e lentamente ela foi aproximando-se de Severo, e seus lábios beijaram delicadamente as mãos deles. Foi um contato suave e delicado, alguns breves segundos. Ela aproximou-se da orelha dele e sussurrou algo que a moça não sentiu a menor vergonha de falar, afinal, ele jamais saberia o que aconteceu naquela noite.
Ela sorriu.
_Você não está mais sozinho. Eu estou aqui!!!- Anita estava firme em sua resolução.
E recuperando-se, a corvinal levantou sorrateiramente e saiu trêmula dali, seu rosto pálido contrastando com os olhos azuis, davam a sua face um ar indefeso, talvez o seu verdadeiro rosto. Anita carregava sua preciosa caixa de poções, orgulhosa de sua coragem, apesar de estar com as pernas bambas. Todavia, seu pensamento não estava mas na caixinha de lembranças, estava lá, no quarto do mestre de DCAT deitado numa poltrona.
Capítulo 05: O Mar em Ressaca
Snape acordou cedo, remexeu-se na poltrona, seu corpo estava todo moído,
“Não devia ter tomado tanto wisk...” -Pensou aborrecido.
Agora o professor estava com uma ressaca monstruosa, suas têmporas dilatavam-se, enquanto seu humor piorava paulatinamente. Severo havia tido um sonho extremamente inapropriados com a bela senhorita Stock, durante a noite passada, ela invadia seu quarto e lhe beijava com aqueles lábios vermelhos... Ele mal sabia que aquele sonho, aparentemente tão real, se repetiria incansavelmente todas as noites...Daquele dia em diante.
-Maldita bebedeira... -Constatou Snape passando a mão pelos cabelos negros em total desalinho.
_E mais essa agora, era o que faltava...Anita Stock !!!- Disse Severo lavando o rosto e contemplando o estrago da ultima noite no espelho.
Ele sentiu curiosidade de saber, por que motivos a senhorita Stock não havia lhe procurado para pedir sua caixinha de madeira de volta, essa seria uma bela chance para Snape poder observar aqueles olhos azuis oceanos novamente, bem de perto...
O professor foi até a sua escrivaninha e a abriu, olhou exaltado e percebeu perplexo, que a caixinha de madeira não estava mais lá...Ele inicialmente pensou na possibilidade de ter se confundido, mas logo ele percebeu que não havia nenhuma confusão. Haviam aproveitado sua ausência para entrar nos seus aposentos e furtá-lo. Ele remexeu tudo com ódio, e viu que todo os seus objetos estavam no seu devido lugar...só faltava um coisinha...a caixa da senhorita Stock...
_Corvinal de uma figa!!!- Snape rangeu os dentes.
Era o motivo que ele precisava para ver Anita Stock.
SSssSSssSSssSSssSSssSSssSS...
Anita estava sentada ao lado de fora, aproveitando finalmente um pouco de Sol, depois de meses de frio intenso, agora havia um pouco de luz. E a corvinal poderia aproveitar um pouco desse calor, curtindo a calma daquele dia, completamente sozinha, para observar o lago.
_Senhorita Stock, queria falar justamente com você – Os olhos de Snape estreitaram-se ao vê-la.
-Claro professor. – Anita deu toda atenção a Severo.
-A senhorita está em detenção o mês inteiro, começando hoje a noite... Limpando os troféus da escola...-Snape sorriu ao ver no rosto da moça uma ruga de preocupação.
-Como assim professor???...Eu não fiz nada...
-Acredito que invadir os aposentos de um professor e pegar algo sem a autorização do mesmo, seja alguma coisa...senhorita. –Snape jogou todo seu sarcasmo na cara da corvinal.
-... –Anita emudeceu, ele sabia de tudo!!!
- Hoje as sete horas com o zelador Filtch!!! –Snape sorriu com o canto da boca, ele havia se contentado com o silencio dela. Havia vencido.
E com essa certeza, Severo virou-se e saiu em direção ao Castelo, enquanto Anita começava a recobrar as cores. Aparentemente dos males os menores, um mês seria um preço baixo demais. Ela sorriu.
“Um mês passa rápido.”
SSssSSssSSssSSssSSssSSssSS....
Assim que pode, Anita Stock terminou seus afazeres da detenção, e entrou pelos corredores, ela estava moída. Limpeza não é um trabalho fácil, principalmente polindo troféus de um castelo tão grande com o de Hogwarts. E ao contrário do que a sua razão lhe mandava fazer, seus pés não a levaram em direção ao salão comunal. Ela foi direto para as masmorras, bem longe dos corvinais. Ela deu três batidas na porta a sua frente. Estava aonde seu coração a mandava estar.
_Professor Snape, o senhor poderia me dar cinco minutos, por favor - Anita Stock apareceu na porta dos aposentos do temido professor Snape.
-Espero que seja importante senhorita Stock.-Snape surpreendeu-se, mas não aparentou mais do que aborrecimento em vê-la.
-Ao menos pra mim, é importante...eu sei que o senhor é um bruxo ocupado. –Ela sorriu e Snape olhou-a friamente, ao abrir a porta pra que ela entrasse.
A sala era confortável, repleta de livros, a moça sentia-se à vontade ali , havia duas cadeiras de madeira e um sofá. Ela sentou-se onde o professor havia indicado, numa das cadeiras de madeira forte e resistente. Ela passou os olhos pela parede para buscar um pouco de coragem para falar, então começou:
_Eu vim para lhe agradecer....- Ela o olhou nos olhos.
-Eu lhe dei uma suspensão, não um prêmio, senhorita Stock. – falou Snape ironicamente, mas demonstrando total desagrado com a atitude da moça.
-Eu sei...-Ela sorriu tristemente ao vê-lo olhá-la daquela maneira.
Anita olhou suas mãos brancas e suaves, vermelhas de tanto esfregar os troféus, ela estava visivelmente cansada. E Snape, sinceramente arrependeu-se de ter lhe dado um castigado tão severo.
-Mas não falo disso...senhor. Eu me refiro do episódio na biblioteca, foi muito gentil de sua parte.-Ele a interrompeu.
-Eu só fiz minha obrigação. - Respondeu secamente.
-Eu sei que se não quisesse....- Anita falou timidamente, mas foi interrompida.
-O senhor Westy ofendeu-me. Então eu interferi. Foi apenas isso...não precisa vir até aqui agradecer-me por nada. Não fiz pela senhorita.
-Mas eu só quis lhe agradecer. –Anita sentiu seu coração partir lentamente a cada palavra dura dele.
-Então se é só isso- Ele bruscamente abriu a porta com um feitiço, não fazendo mais do que um mero muxoxo.
-Eu...- Ela levantou-se e deu uns passos em direção a porta, mas voltou novamente.
-Vá embora senhorita Stock.- Snape fez um muxoxo de desagrado.
Anita sentiu todo a dureza que aquelas palavras representavam, seu mundo desmoronava novamente a sua frente, ela foi aos aposentos dele buscando alívio, consolo e proteção, talvez...*amizade*, mas ela não encontrou nada disso, era tudo frio, seco...
A jovem Stock sabia que havia calor em alguma parte, e a moça lembrou-se das coisas que queria esquecer...Seu coração estava atormentado depois de todos aqueles acontecimentos, ela queria poder contar toda a verdade para ele, mas era covarde demais para isso.
Os olhos dela encontraram com os deles e ela o encarou-o tremula, implorando silenciosamente que ele visse a verdade nos seus olhos. Mas a corvinal não acreditava mais em contos de fadas, a vida real era bem diferente de todas as histórias que a sua mãe lhe contado...Aquele lugar estava tão frio, que ela quase podia ouvir um súplica muda das velhas paredes, ecoando pelos ares...pedindo um pouco de calor. Talvez não fosse aquele lugar, talvez fosse ela.
Anita tentou falar, mas os seus lábios se abriram e fecharam sem exaurir nenhuma palavra. A jovem Stock não pode evitar, algo tão espontâneo, seus olhos azuis tão marejados, rapidamente encheram-se como o oceano e transbordaram envoltos por um dor tão profunda, que comoveria qualquer pessoa, qualquer um que tivesse um coração, mesmo que fosse peludo, se sentiria partir-se ao meio ao vê-la.
Snape não foi diferente.
-Mas o que é isso senhorita Stock, não é para tanto!!! – Irrompeu ele em resposta as lágrimas dele.
Anita começou a chorar ainda mais, sentia-se envergonhada e fraca...
“Patético, odeio me sentir assim...tão frágil” – Ela pensou com sigo mesma.
-Sente-se, acalme-se. Tenha calma!!!.-Estranhamente o choro dela o incomodava.
E isso era estranho, totalmente novo para ele, que se considerava um homem frio...Snape estava acostumado a todo o tipo de ataque nervoso, ou chilique que seus alunos davam, isso não o afetava mais...Mas por que ele estava assim...tão comovido com uma simples corvinal???!!!Ele não sabia dizer.
-Calma...- Snape deu um liquido para a moça beber, mas a jovem recusou-se e sentou-se na poltrona mais confortável. Severo não entendeu a recusa,e insistiu:
-Não tenha medo, é apenas um calmante, você se sentirá melhor.
Anita não respondeu, ela simplesmente aproximou-se mais do professor e o abraçou, encostando sua cabeça no peito dele. Snape podia sentir a respiração rápida dela e suas mãos delicadas agarradas no seu corpo, como se sua vida dependesse disso. Severo iria fazer menção pra que ela o soltasse, mas não conseguia se mover, a respiração dela estava acalmando-se paulatinamente e Severo sentia agora o corpo dela junto ao seu. E era uma sensação maravilhosa. Anita olhou-o no fundo dos seus olhos negros, e disse ainda um pouco tensa:
-Não minta pra mim...eu sinto o seu calor...você não é frio desse modo que quer tanto aparentar, eu sei.- E dizendo isso, ela aproximou o seu rosto do dele e acariciou a face pálida do homem a sua frente, que a tanto tempo não recebia um carrinho tão sincero e delicado. Ele sentiu o poder daquele toque, o toque daquelas mãos era um sonho, que ele vivia acordado. Com um impulso, ele segurou a mão dela, ia negar-se.
-Por favor...é só um carinho...- Ela sussurrou numa suplica doce e amável.
Snape sentiu suas forças se anularem ao encontrar os olhos delas, ele soltou a mão da bela Stock, e segurou a cabeça da jovem com firmeza, passando suas mãos ágeis pelos cabelos volumosos dela, ele estava hipnotizado pela corvinal. E ele teria ido ainda mais além se ela não o impedido:
- Pare!!!- Anita balbuciou fracamente.
- Por quê? - Ele inquiriu apertando-a mais contra si.
- Eu estou com medo... - Ela falou fracamente.
- Está com medo... - Afirmou Snape sarcasticamente.
Severo tentou se afastar dela, sentindo novamente o sabor amargo da rejeição, o qual ele disfarçada atrás de um sorriso de superioridade e palavras irônicas e sarcásticas.
- Eu vou deixá-la descansando... – Ele disse ao tentar se levantar.
- Não, por favor, não me deixe...fique comigo. - Ela o segurou com toda a pouca força que ainda tinha.
- Eu não quero lhe causar mais medo, ou horror? - Ele torturou-lhe venenosamente.
- Não, você não me entendeu, eu não sinto medo de você... muito menos horror... - Ela disse docemente apoiando a cabeça no peito dele.
- Eu não entendo você, senhorita Stock...Tudo isso me pareci no mínimo contraditório. - Snape sentia o toque de Anita, e ela era tão suave e delicada...tão doce que ele sentia-se verdadeiramente atraído por ela.
- Eu queria poder lhe dizer, mas não tenho coragem...- Ela respondeu sem encará-lo.
- Eu posso ajudá-la...- Severo levantou o queixo dela delicadamente, e deixou-se penetrar nos olhos azuis revoltos...Ele arrumaria um modo se saber a verdade.
“Oh Deus, como eu quero tocá-lo...beijá-lo...mas eu tenho medo de fazer algo errado...tenho medo dele não gostar de mim...tenho medo que ele descubra o quanto tudo....Eu queria poder contar tudo a ele...mas eu não consigo...tenho muito medo...eu sei que ele me protegeria...mas eu não consigo...”
-Ohhh, pare!!! Você está lendo a minha mente!!!- Anita fechou os olhos para quebrar o contato visual enquanto falava envergonhada:
-Nunca mais faça isso!!! - Ela repetiu ainda de olhos fechados.
Anita não ouviu nenhuma palavra de volta...nenhuma resposta...
“Devo ter feito tudo errado, agora, ele deve me achar tão patética!!!” - Pensou enquanto recuperava a respiração.
- É melhor eu ir embora... -Balbuciou corada, agora de olhos abertos, mas ainda sem encará-lo.
- Não, ainda não...- Ele respondeu segurando a cabeça dela e acariciando os seus cabelos gentilmente.
- Não tenha medo... - Sanape acariciou o rosto da bela corvinal... e foi aproximando-se lentamente dela, tão próximos que ela sentia a respiração dele na sua face.
- Eu... - Anita disse fracamente.
-Shhhhh... - Snape colocou seus dedos gentilmente sobre os lábios dela, fazendo-a silenciar, ela encarou-o quase como se estivesse assombrada, seus olhos azuis arregalados. Mas ela não se moveu nem um centímetro, deixou os lábios dele tocarem os seus suavemente. Agora, ela o observava trêmula, mas resoluta, simplesmente fechou os olhos.
Era escuridão...
Anita sentiu seu corpo tremer, uma mistura de medo e desejo, mas ela resolveu enfrentar o seu medo...Dessa vez, ela não se recusou a experimentar o sabor daquele beijo. Ela se deixou ser guiada pela gentileza do toque dele, dessa vez sentindo amor e não medo...
Em uma noite estrelada e silenciosa, num castelo velho e distante, o vento corria silencioso pelos corredores, procurando algo para observar. O insulano chegou sorrateiro nas masmorras, estranhamente sem frio ou solidão, ele o único a testemunhar aquela mudança, aquele segredo: Dois corações que batiam juntos no mesmo ritmo. Agora eram um só. Só ele, senhor dos ventos, poderia reconhecer em toda a sua vivencia secular um verdadeiro amor!!!O vento sorriu e resolveu deixá-los à sós, acabou dobrando e seguiu pelos corredores. Assobiando canções românticas, as quais homem nenhum poderia entender ou explicar.
Shhhhhhhhhhh.......
***
continua
Fic: As irmãs Stock (parte 1)
As irmãs Stock
by Madame Anita e La Kariin
Capítulo 01: As irmãs Stock
Ludmila Stock entrou pela sala e viu novamente aquela cena a qual estava tão acostumada: Anita estava sentada no parapeito da janela com as seus olhos azuis perdidos no horizonte, havia uma certa melancolia no olhar cercada por sua expressão totalmente fechada, ela estava absorta em pensamentos só seus, os quais sua irmã daria tudo para entende-los profundamente.
-Deixe de ser birrenta, Hogwarts é uma ótima escola!!!- Irrompeu Ludmila.
-Eu só não entendo uma coisa, por que você pode ficar sem estudar, e eu não?- interrogou-a Anita levantando ligeiramente o rosto, com uma expressão tão taxativa.
-Eu já lhe expliquei quinhentas vezes!!!-Ela respirou fundo e continuou - estávamos em guerra, e era arriscado demais voltar a esse país, estávamos fugidas, se lembra?
-Eu poderia muito bem ter ficado na Finlândia com nosso tio...
-hahahaha!!!- Ludmila não agüentou-Você?Na Finlândia? Esqueceu-se de nossa mãe , ela é muito apegada a você...tenho pavor só de pensar no que mamãe faria...se...-Os olhos de Ludmila ficaram apertados só de pensar na idéia.
- Sei...mãe tem saúde frágil... e o seu maior desejo é me ver formada!!!-Ela terminou suspirando.
-Já fez as malas?- Ludmila resolveu mudar de assunto.
-Fiz ontem.
-Está com medo?
-Talvez...
Anita Stock confessava tudo a sua irmã mais velha, as duas eram amigas e cúmplices em vários segredos. A caçula da família confiava plenamente em Mila, mas mesmo que quisesse confessar todos os seus medos a sua irmã, ela não conseguiria, Anita aprendeu a ser reservada e fechada para com os outros. E Ludmila sabia que o “talvez” da irmã significava um sim sonoro.
-Está tudo bem agora...-Ludmila falou firmemente.
-Acho que já ouvi isso antes...- Anita retrucou, havia um sorriso triste em seus lábios.
-Por Merlin, é totalmente diferente!!!A guerra acabou!!!- E como se tivesse acabado de encaixar uma peça do seu quebra-cabeças, disse:
-Então é por isso que não tem dormido direito.
-Eu tenho dormido perfeitamente bem!- A moça protestou
Mila olhou-a com profunda descrença.
-Não minta pra mim, Anita...
-Não me olhe dessa maneira, eu estou bem. Deixe-me quieta. -E voltando-se novamente para o horizonte, ela deu as costas à irmã.
Mila a conhecia o suficiente para entender que a moça a sua frente não falaria mais sobre o assunto, não adiantava puxar conversar. Ela então simplesmente calou-se, entrou porta adentro, e trancou-se no seu escritório: havia muito trabalho para ser feito, e pouco tempo para isso. Ludmila trabalhava no departamento de mistérios e estava louca pra terminar um certo caso em especial.
Anita virou-se para o vago e contemplou o horizonte, ela sentia muito medo dentro de si e as lembranças do passado voltavam a sua cabeça como em fleches, ela tentava usar a razão para controlar-se e quase sempre conseguia isso, mas a moça sabia que esquecer era tão difícil quanto lembrar. E Anita estava obstinada a todo custo a apagar essas memórias, mas tentando esquecer ela já não estaria lembrando?
***
E os dias se passaram muitíssimos rápidos, e quando Anita percebeu ela estava no castelo de Hogwarts, sentada num banquinho de madeira com um chapéu velho e rasgado em cima da cabeça. Era o chapéu seletor:
“Criança...quanta coisa nessa cabeçinha, você é inteligente....ohhh se é!!!Gosta de ler, estudar...muito bom...centrada, usa a razão...Eu não tenho dúvidas, senhorita Stock”
-Corvinal!!!
Anita respirou fundo, e sentou-se na mesa da Corvinal.Todos a olhavam admirados, afinal, era raro vir alunos novatos no meio do semestre e ainda mais do último ano.
-E então?- Perguntou Julliane com um largo sorriso - Você veio de que colégio mesmo?
-Eu estudava em casa.- respondeu naturalmente.
-Em casa? - Espantou-se a outra.
-Sim.- Anita sentia-se incomodada com os olhares de todo ao seu redor.Sempre odiou excesso de exposição, achava aquilo o fim.
-Você deve ser rica, não? quem lhe ensinava...algum professor particular?
-Não.
-Como?- Insistiu a corvinal, havida por respostas.
-Eu não sou rica, quem me ensinava era minha irmã.
-Ahhh...- Contentou-se Julliane, momentaneamente.
-Você não é de falar muito, não é ? –contestou a corvinal.
-Só quando forçada.
-Ok!Entendi.- E usando um pouco de sua perspicácia, a corvinal virou-se e começou a comer seu pudim, sem dizer nenhuma palavra a mais.
Anita pensou consigo mesma...
“Esse ano vai ser longo...”- E com outro suspiro, resolveu comer alguma coisa, afinal, seu estomago já estava reclamando.
Capítulo 02: Primeira aula em Hogwarts
Anita adentrou na sala de aula, e seus cabelos longos estavam presos numa trança grossa, a qual dava-lhe maior seriedade e beleza.Era impossível não notar a sua presença.
-Quer se sentar comigo, novata?- Perguntou Herbert Westy com um sorriso que derreteria todos os corações femininos.
-Não obrigada. – falou Anita olhando-o duramente.
- Caramba, que fora!!!- riu com gosto, Eduard Village.
E resolvida a ignorar todas as risadinhas inapropriadas da turminha de Herbert, Anita sentou-se ao lado de uma gentil lufa-lufa de cabelos compridos e sorriso contagiante. Bem a tempo.
- Muito bem, chega de conversas...Eu sou professor Snape, professor de defesa contra as artes das trevas, não gosto de conversas e não tolero feitiços bobos e idiotas nas minhas aulas.Os senhores já tem idade suficiente para saberem disso , chegamos em um nível superior aqui...não tolerarei erros bobos, e espero não ter de repetir isso novamente.
Dizendo isso, Snape virou-se e começou a dar sua aula como de costume, Anita era muito inteligente e talvez tivesse prestado mais atenção à aula, se aqueles feitiços defensivos ela já não conhecesse de cor e salteado.Então a jovem, permitiu-se devagar em pensamentos.
Mas não obstante ela começou a pensar no homem a sua frente,
Apesar de sua aparente frieza e sarcasmo, ele era um homem diferente de todos aqueles com a qual Anita havia encontrado,
“Sua expressão severa talvez escondesse uma enorme sensibilidade, e suas mãos tão pálidas e aparentemente frias pudessem esconder grande calor. E o seu coração aparentemente tão impenetrável e duro, fosse sensível e guardasse uma certa adoração muda. Quem sabe, a sua fama de traidor e vilão também escondesse um homem fiel a uma lei...ou alguém....quem sabe um amor???...”
-Senhorita Stocks, a senhorita está bem?- Os olhos de Snape a fitavam seriamente, ele destilava ironia nessas palavras aparentemente tão bondosas, ele não estava sendo gentil.
-Ohhh, desculpe-me professor...eu estou bem....- Ela olhou-o ligeiramente sem graça.Deixando certo rubor subir pelas sua face pálida. Mas Snape não suspeitou nem por um segundo os reais pensamentos da moça.
“Que aluna estranha...”- Severo pensou ao levantar uma sobrancelha.
-Então o que está esperando?- perguntou impaciente- Pegue suas coisas, senhorita Stocks, vá para sua aula!!!
- Claro, professor.- Ela saiu rapidamente da sala.
“Mas os seus olhos azuis...” – Snape se viu pensando num mar revolto-
“Controle-se...devo estar ficando louco.Ela é apenas uma corvinal ” –Pensou ele com algum desprezo.
Capítulo 03: Duelo de Corvinais na Biblioteca!!!
Julliane entrou na biblioteca da forma desengonçada, a que lhe era tão peculiar, mas que estranhamente lhe combinava tão bem.Ela carregava um exemplar matutino do Profeta Diário e ao ver Anita sentada na mesa do fundo, a jovem corvinal não pensou duas vezes, e foi direto para o fundão da biblioteca.
-Olá Anita, tudo bem?
-Por enquanto, sim.- Disse Anita aparentemente inconfortável.
-Eu estive pensando se você poderia me dar uma ajudinha, eu não consigo tirar umas memórias da minha cabeça, mas eu preciso pra aprender a fazer aqueles feitiços da memória, me ajuda?
-Claro- Anita não pensou duas vezes, ela nunca se negava a ajudar ninguém.
Anita abaixou a vista e viu o exemplar do profeta Direto.
-Posso ver o jornal.
-Pode, sem problemas.- Ela sorriu.
-Não sabia que gostava de ler jornal!!!-Animou-se a outra
-Acho que se for bem escrito, mereci ser lido- Falou Anita lendo a notícia principal do jornal.
“O Ministério continua atrás do ex-comensal da morte, Yaxley , foragido desde a derrota de Voldmort...”
Mas Anita foi interrompida na sua leitura tão alarmante:
-Esse feitiço é muito avançado. Você aprendeu com a sua irmã?-Julliane queria matar mais uma vez sua curiosidade a respeito de sua colega.
-Vamos começar a treinar logo- Respondeu Anita, ignorando a pergunta da outra.
- Vamos.- Respondeu Julliane aparentemente sem se importar com os modos de Anita.
-Veja como eu faço – E apontando a varinha para a cabeça, ela mentalizou uma cena e foi retirando-a lentamente da sua cabeça, dizendo:
-Você deve mentalizar o feitiço e logo em seguida a cena a qual quer retirar da memória.Tente!!!
Julliane olhava atentamente, seu rosto tensionado. Ela prestava atenção em tudo que a colega fazia, e então resolveu tentar.Foi um fracasso, partiu-se ao meio a memória, antes da corvinal conseguir o que queria para o seu feitiço de memória.
-Ohhh...sempre eu erro!!!- Julliane protestou.
-Entenda uma coisa, primeiro você deve focalizar o que você quer.Geralmente isso ocorre quando a pessoa não se concentra, e assim a memória parte ao meio ou então mistura-se com outra lembrança.É preciso concentração, tente fechar os olhos.
-Está bem.
-Calma, escolha a memória, focalize, e vai!!!
-Consegui!!!!!- Julliane falou , colocando a memória na ampola e lacrando-a.
-Meus parabéns, foi perfeito!- Incentivou Anita.
-Depois tente com os olhos abertos, lembre-se de concentrar-se.
-Eu vou...- Julliane foi interrompida,
-Ora, ora, as alunas mais lindas de Hogwarts estão estudando.- meteu-se Herbert no meio das duas corvinais.
Julliane derreteu-se toda ao sorrir, enquanto Anita não expressou nem um movimento facial com o elogio tão sorridente do capitão da equipe de quadribol.
-Olá Herbert – sorriu Julliane, passando as mãos pela cabeleira ruiva.
-O que é isso que vocês estão fazendo, estão tirando memória?-perguntou curioso.
-Ohhh então essa memória são das senhoritas?- Retrucou Herbert pegando a caixinha.
-Como é perspicaz!!!- falou Anita ironicamente, odiando-se por ter decidido estudar na biblioteca naquela hora.
-Não desfaça de mim, senhorita Stock!
-Não ligue Herbert- Respondeu Julli tentando chamar a atenção do rapaz.
-Anita, são feitiços de memória para o trabalho do Snape? - Herbert sorriu encantadoramente para a corvinal de olhos azuis.
-Sim. – Respondeu Anita seriamente achando tudo aquilo de mal gosto.
-Deixa eu ver – Herbert puxou a caixinha de madeira bruscamente.
-Olha....o que temos aqui, são memórias de verdade....caramba!!!!!- Riu Herbert impedindo que Anita as pegasse de sua mão.
-Droga, me devolve isso!!!!- Anita tentava puxar a caixa dele.
-Herbert...devolve pra Anita...já tá bom...-Julliane falou rindo da situação.
-Eu só quero ver essas memórias aqui...-Respondeu para Julli com uma piscadela.
Julliane sorriu sem graça, passando as mãos pelo cabelo novamente.
-Calma...minha flor...eu só quero ver o que você vai fazer no trabalho do narigudo do Snape. – Disse o corvinal dirigindo-se a Anita.
-Deixa de ser prepotente Herbert...Não fale do professor Snape só por que ele é infinitamente mais inteligente do que você....seu aprendiz de trasgo!!! –Respondeu Anita ficando com raiva de Herbert por estar insultando Severo.
-Você está louca....está tomando as dores daquele morcegão???!!!- Herbert ficou duplamente surpreso.
- Só disse a verdade...você tem raiva dele porque ele é o único professor daqui que não rendeu-se as suas bajulações descaradas e dissimuladas...
Herbert era aquele tipo de pessoa bajuladora e por muitas vezes inconveniente, que faz de tudo para conseguir o que quer.
E como Herbert se irritou com a provocação, começando a ficar com as bochechas rosadas.A menina resolveu continuar pisando na ferida. Pisando no orgulho de qualquer corvinal que se preze:
-Ele vê você como realmente é...um pobre néscio, ignorante.- Respondeu Anita.
Anita sabia que Herbert não era tão néscio assim, mas ela queria ofendê-lo.E conseguiu.
-Néscio, eu??? Sua metida, esnobe, arrogante...sempre de nariz em pé...deveria ter ido pra Sonserina, sua bastarda!!!Veja o que vou fazer com seu trabalho.
Herbert levantou a caixa no ar e a teria arremessado sobre o chão, se alguém não o houvesse impedido.
-Interrompo alguma coisa senhor Westy –
Severo Snape apareceu com as suas vestes negras esvoaçantes por detrás das prateleiras repletas de livros, e tomou a caixinha das mãos do corvinal em questões de segundos. Julliane via toda a cena trêmula. E Anita parecia impassível como uma estátua.
-Ehhh...professor Snape?...- Herbert ficou ainda mais vermelho.
-Está vendo outra pessoa aqui, senhor Westy?- Falou Snape ironicamente.
-N-não p-prof-fessor...é...tudo culpa dela!!- Herbert falou apontando o dedo trêmulo pra menina a sua frente.
Anita não disse uma palavra, simplesmente cruzou os braços e balançou a cabeça para os lados negativamente, com total desprezo, seu rosto estava incrivelmente impassível.
-Aham...E foi a senhorita Stock quem eu peguei com essa caixa, querendo arremessar o seu próprio trabalho no chão...-Falou Snape mortalmente, estreitando os olhos negros.
–Poupe-me senhor Westy- ralhou Severo com todo desprezo que pode.
-É que...é que...bem..ela...- Confundiu-se o corvinal, na tentativa fracassada de manipular a situação.
-Oras senhor Westy, eu ouvi T-U-D-O, poupe-me dos seus lamentos!
Herbert parecia que a qualquer momento teria um ataque, mas ainda assim tentava manipular a situação:
-Mas senhor...- Herbert tremeu-se todo e gaguejou.
-Cale-se!!!- Snape vociferou impiedosamente, e como havia intimidado Herbert, Severus voltou-se para a corvinal.
-E a senhorita, o que tem a me dizer? –Snape inquiriu a moça de olhos azuis.
-Na verdade professor, eu não tenho nada a dizer. – Ela estava aparentemente tranqüila- Como o senhor mesmo disse que viu tudo, deixo na sua mão esse julgamento.
E Snape nunca havia sido respondido daquela maneira, com aquela força e segurança, a corvinal não estava sendo cínica, ou atrevida como muitos grifinórios que o professor repreendia. Anita estava extremamente calma e falava com certa confiança, sem petulância, como a segurança de quem não mente. E isso severo admirava em uma pessoa.
-Realmente, a senhorita tem razão.- Concluiu Snape admirando a moça na sua frente.
-Senhor Westy – Ele estreitou os olhos e tomou fôlego –Um mês de detenção com o Filth!!! E se eu lhe pegar novamente importunando a senhorita Stock, ou falando mal de qualquer professor...Eu farei com que seja a última vez...- Os olhos de Snape queimavam de ira, e sua voz faria tremer o bruxo mais corajoso daquele castelo.-
-Detenção vocês dois!!!- Disse Snape apontando para Julliane e Herbert com o dedo.
-E-Eu?- Julliane finalmente voltou a ter voz, mesmo que trêmula.
-Sim. A senhora também será castigada. Aprenda a escolher melhor suas amizades, e a ajudar sua colega quando ela precisar...sem ficar se tremendo...dessa forma patética.-Snape olhou-a com desprezo, balançou a cabeça, virou-se e foi embora.
Julliane não entendeu o porque de Herbert não ter desmaiado ali mesmo, pois tudo indicava que ele cairia no chão a qualquer momento, ela mesma não podia dizer nada...afinal, suas pernas estavam tremendo até agora.
Herbert voltou-se para Anita Stock, seu rosto vermelho de raiva:
-Se eu não conseguir passar de ano na matéria dele...você me paga Stock!!!
-Não me culpe, o show foi todo seu Westy. –Respondeu Anita mortalmente.
-Maldita!!!- Herbert saiu batendo nas cadeiras, sentido seu corpo tremer de raiva.
-Ainda bem que ele foi embora.- Disse Julli largando-se na cadeira, ao ver o corvinal sair da biblioteca.
No caminho, Snape sentiu no seu íntimo uma certa alegria escondida, por ter ouvido aquelas palavras ditas em sua defesa, pela bela senhorita Stock.
Enquanto isso a moça sentia a sua admiração pelo professor aumentar ainda mais. Agora, ele havia tornado-se seu herói. De certo modo, aquilo parecia meio infantil ou piegas para uma corvinal, como ela, mas naquele momento ela lembrava-se apenas da voz doce de sua mãe:
”Não se preocupe meu anjo, se o pior acontecer, virá um bruxo inteligente e corajoso lhe salvar. Ele será o seu herói...E aí você saberá, que poderá dar o seu coração a ele...”
Agora Anita tinha um defensor, ele poderia ser diferente de todo o estereótipo bruxo de beleza, com o qual as jovens sonham, mas para Anita isso já não importava, a seus olhos ele era perfeito.
Mas a realidade a aguardava...
-Droga....- Anita olhou para as suas mãos vazias e se deu conta, a caixinha não estava com ela, na confusão Snape havia ido embora com ela.
-O que foi???- Respondeu Julli sem entender.
-Nada...depois nós falamos.- Anita saiu correndo da biblioteca, precisa pensar.
***
continua...
by Madame Anita e La Kariin
Capítulo 01: As irmãs Stock
Ludmila Stock entrou pela sala e viu novamente aquela cena a qual estava tão acostumada: Anita estava sentada no parapeito da janela com as seus olhos azuis perdidos no horizonte, havia uma certa melancolia no olhar cercada por sua expressão totalmente fechada, ela estava absorta em pensamentos só seus, os quais sua irmã daria tudo para entende-los profundamente.
-Deixe de ser birrenta, Hogwarts é uma ótima escola!!!- Irrompeu Ludmila.
-Eu só não entendo uma coisa, por que você pode ficar sem estudar, e eu não?- interrogou-a Anita levantando ligeiramente o rosto, com uma expressão tão taxativa.
-Eu já lhe expliquei quinhentas vezes!!!-Ela respirou fundo e continuou - estávamos em guerra, e era arriscado demais voltar a esse país, estávamos fugidas, se lembra?
-Eu poderia muito bem ter ficado na Finlândia com nosso tio...
-hahahaha!!!- Ludmila não agüentou-Você?Na Finlândia? Esqueceu-se de nossa mãe , ela é muito apegada a você...tenho pavor só de pensar no que mamãe faria...se...-Os olhos de Ludmila ficaram apertados só de pensar na idéia.
- Sei...mãe tem saúde frágil... e o seu maior desejo é me ver formada!!!-Ela terminou suspirando.
-Já fez as malas?- Ludmila resolveu mudar de assunto.
-Fiz ontem.
-Está com medo?
-Talvez...
Anita Stock confessava tudo a sua irmã mais velha, as duas eram amigas e cúmplices em vários segredos. A caçula da família confiava plenamente em Mila, mas mesmo que quisesse confessar todos os seus medos a sua irmã, ela não conseguiria, Anita aprendeu a ser reservada e fechada para com os outros. E Ludmila sabia que o “talvez” da irmã significava um sim sonoro.
-Está tudo bem agora...-Ludmila falou firmemente.
-Acho que já ouvi isso antes...- Anita retrucou, havia um sorriso triste em seus lábios.
-Por Merlin, é totalmente diferente!!!A guerra acabou!!!- E como se tivesse acabado de encaixar uma peça do seu quebra-cabeças, disse:
-Então é por isso que não tem dormido direito.
-Eu tenho dormido perfeitamente bem!- A moça protestou
Mila olhou-a com profunda descrença.
-Não minta pra mim, Anita...
-Não me olhe dessa maneira, eu estou bem. Deixe-me quieta. -E voltando-se novamente para o horizonte, ela deu as costas à irmã.
Mila a conhecia o suficiente para entender que a moça a sua frente não falaria mais sobre o assunto, não adiantava puxar conversar. Ela então simplesmente calou-se, entrou porta adentro, e trancou-se no seu escritório: havia muito trabalho para ser feito, e pouco tempo para isso. Ludmila trabalhava no departamento de mistérios e estava louca pra terminar um certo caso em especial.
Anita virou-se para o vago e contemplou o horizonte, ela sentia muito medo dentro de si e as lembranças do passado voltavam a sua cabeça como em fleches, ela tentava usar a razão para controlar-se e quase sempre conseguia isso, mas a moça sabia que esquecer era tão difícil quanto lembrar. E Anita estava obstinada a todo custo a apagar essas memórias, mas tentando esquecer ela já não estaria lembrando?
***
E os dias se passaram muitíssimos rápidos, e quando Anita percebeu ela estava no castelo de Hogwarts, sentada num banquinho de madeira com um chapéu velho e rasgado em cima da cabeça. Era o chapéu seletor:
“Criança...quanta coisa nessa cabeçinha, você é inteligente....ohhh se é!!!Gosta de ler, estudar...muito bom...centrada, usa a razão...Eu não tenho dúvidas, senhorita Stock”
-Corvinal!!!
Anita respirou fundo, e sentou-se na mesa da Corvinal.Todos a olhavam admirados, afinal, era raro vir alunos novatos no meio do semestre e ainda mais do último ano.
-E então?- Perguntou Julliane com um largo sorriso - Você veio de que colégio mesmo?
-Eu estudava em casa.- respondeu naturalmente.
-Em casa? - Espantou-se a outra.
-Sim.- Anita sentia-se incomodada com os olhares de todo ao seu redor.Sempre odiou excesso de exposição, achava aquilo o fim.
-Você deve ser rica, não? quem lhe ensinava...algum professor particular?
-Não.
-Como?- Insistiu a corvinal, havida por respostas.
-Eu não sou rica, quem me ensinava era minha irmã.
-Ahhh...- Contentou-se Julliane, momentaneamente.
-Você não é de falar muito, não é ? –contestou a corvinal.
-Só quando forçada.
-Ok!Entendi.- E usando um pouco de sua perspicácia, a corvinal virou-se e começou a comer seu pudim, sem dizer nenhuma palavra a mais.
Anita pensou consigo mesma...
“Esse ano vai ser longo...”- E com outro suspiro, resolveu comer alguma coisa, afinal, seu estomago já estava reclamando.
Capítulo 02: Primeira aula em Hogwarts
Anita adentrou na sala de aula, e seus cabelos longos estavam presos numa trança grossa, a qual dava-lhe maior seriedade e beleza.Era impossível não notar a sua presença.
-Quer se sentar comigo, novata?- Perguntou Herbert Westy com um sorriso que derreteria todos os corações femininos.
-Não obrigada. – falou Anita olhando-o duramente.
- Caramba, que fora!!!- riu com gosto, Eduard Village.
E resolvida a ignorar todas as risadinhas inapropriadas da turminha de Herbert, Anita sentou-se ao lado de uma gentil lufa-lufa de cabelos compridos e sorriso contagiante. Bem a tempo.
- Muito bem, chega de conversas...Eu sou professor Snape, professor de defesa contra as artes das trevas, não gosto de conversas e não tolero feitiços bobos e idiotas nas minhas aulas.Os senhores já tem idade suficiente para saberem disso , chegamos em um nível superior aqui...não tolerarei erros bobos, e espero não ter de repetir isso novamente.
Dizendo isso, Snape virou-se e começou a dar sua aula como de costume, Anita era muito inteligente e talvez tivesse prestado mais atenção à aula, se aqueles feitiços defensivos ela já não conhecesse de cor e salteado.Então a jovem, permitiu-se devagar em pensamentos.
Mas não obstante ela começou a pensar no homem a sua frente,
Apesar de sua aparente frieza e sarcasmo, ele era um homem diferente de todos aqueles com a qual Anita havia encontrado,
“Sua expressão severa talvez escondesse uma enorme sensibilidade, e suas mãos tão pálidas e aparentemente frias pudessem esconder grande calor. E o seu coração aparentemente tão impenetrável e duro, fosse sensível e guardasse uma certa adoração muda. Quem sabe, a sua fama de traidor e vilão também escondesse um homem fiel a uma lei...ou alguém....quem sabe um amor???...”
-Senhorita Stocks, a senhorita está bem?- Os olhos de Snape a fitavam seriamente, ele destilava ironia nessas palavras aparentemente tão bondosas, ele não estava sendo gentil.
-Ohhh, desculpe-me professor...eu estou bem....- Ela olhou-o ligeiramente sem graça.Deixando certo rubor subir pelas sua face pálida. Mas Snape não suspeitou nem por um segundo os reais pensamentos da moça.
“Que aluna estranha...”- Severo pensou ao levantar uma sobrancelha.
-Então o que está esperando?- perguntou impaciente- Pegue suas coisas, senhorita Stocks, vá para sua aula!!!
- Claro, professor.- Ela saiu rapidamente da sala.
“Mas os seus olhos azuis...” – Snape se viu pensando num mar revolto-
“Controle-se...devo estar ficando louco.Ela é apenas uma corvinal ” –Pensou ele com algum desprezo.
Capítulo 03: Duelo de Corvinais na Biblioteca!!!
Julliane entrou na biblioteca da forma desengonçada, a que lhe era tão peculiar, mas que estranhamente lhe combinava tão bem.Ela carregava um exemplar matutino do Profeta Diário e ao ver Anita sentada na mesa do fundo, a jovem corvinal não pensou duas vezes, e foi direto para o fundão da biblioteca.
-Olá Anita, tudo bem?
-Por enquanto, sim.- Disse Anita aparentemente inconfortável.
-Eu estive pensando se você poderia me dar uma ajudinha, eu não consigo tirar umas memórias da minha cabeça, mas eu preciso pra aprender a fazer aqueles feitiços da memória, me ajuda?
-Claro- Anita não pensou duas vezes, ela nunca se negava a ajudar ninguém.
Anita abaixou a vista e viu o exemplar do profeta Direto.
-Posso ver o jornal.
-Pode, sem problemas.- Ela sorriu.
-Não sabia que gostava de ler jornal!!!-Animou-se a outra
-Acho que se for bem escrito, mereci ser lido- Falou Anita lendo a notícia principal do jornal.
“O Ministério continua atrás do ex-comensal da morte, Yaxley , foragido desde a derrota de Voldmort...”
Mas Anita foi interrompida na sua leitura tão alarmante:
-Esse feitiço é muito avançado. Você aprendeu com a sua irmã?-Julliane queria matar mais uma vez sua curiosidade a respeito de sua colega.
-Vamos começar a treinar logo- Respondeu Anita, ignorando a pergunta da outra.
- Vamos.- Respondeu Julliane aparentemente sem se importar com os modos de Anita.
-Veja como eu faço – E apontando a varinha para a cabeça, ela mentalizou uma cena e foi retirando-a lentamente da sua cabeça, dizendo:
-Você deve mentalizar o feitiço e logo em seguida a cena a qual quer retirar da memória.Tente!!!
Julliane olhava atentamente, seu rosto tensionado. Ela prestava atenção em tudo que a colega fazia, e então resolveu tentar.Foi um fracasso, partiu-se ao meio a memória, antes da corvinal conseguir o que queria para o seu feitiço de memória.
-Ohhh...sempre eu erro!!!- Julliane protestou.
-Entenda uma coisa, primeiro você deve focalizar o que você quer.Geralmente isso ocorre quando a pessoa não se concentra, e assim a memória parte ao meio ou então mistura-se com outra lembrança.É preciso concentração, tente fechar os olhos.
-Está bem.
-Calma, escolha a memória, focalize, e vai!!!
-Consegui!!!!!- Julliane falou , colocando a memória na ampola e lacrando-a.
-Meus parabéns, foi perfeito!- Incentivou Anita.
-Depois tente com os olhos abertos, lembre-se de concentrar-se.
-Eu vou...- Julliane foi interrompida,
-Ora, ora, as alunas mais lindas de Hogwarts estão estudando.- meteu-se Herbert no meio das duas corvinais.
Julliane derreteu-se toda ao sorrir, enquanto Anita não expressou nem um movimento facial com o elogio tão sorridente do capitão da equipe de quadribol.
-Olá Herbert – sorriu Julliane, passando as mãos pela cabeleira ruiva.
-O que é isso que vocês estão fazendo, estão tirando memória?-perguntou curioso.
-Ohhh então essa memória são das senhoritas?- Retrucou Herbert pegando a caixinha.
-Como é perspicaz!!!- falou Anita ironicamente, odiando-se por ter decidido estudar na biblioteca naquela hora.
-Não desfaça de mim, senhorita Stock!
-Não ligue Herbert- Respondeu Julli tentando chamar a atenção do rapaz.
-Anita, são feitiços de memória para o trabalho do Snape? - Herbert sorriu encantadoramente para a corvinal de olhos azuis.
-Sim. – Respondeu Anita seriamente achando tudo aquilo de mal gosto.
-Deixa eu ver – Herbert puxou a caixinha de madeira bruscamente.
-Olha....o que temos aqui, são memórias de verdade....caramba!!!!!- Riu Herbert impedindo que Anita as pegasse de sua mão.
-Droga, me devolve isso!!!!- Anita tentava puxar a caixa dele.
-Herbert...devolve pra Anita...já tá bom...-Julliane falou rindo da situação.
-Eu só quero ver essas memórias aqui...-Respondeu para Julli com uma piscadela.
Julliane sorriu sem graça, passando as mãos pelo cabelo novamente.
-Calma...minha flor...eu só quero ver o que você vai fazer no trabalho do narigudo do Snape. – Disse o corvinal dirigindo-se a Anita.
-Deixa de ser prepotente Herbert...Não fale do professor Snape só por que ele é infinitamente mais inteligente do que você....seu aprendiz de trasgo!!! –Respondeu Anita ficando com raiva de Herbert por estar insultando Severo.
-Você está louca....está tomando as dores daquele morcegão???!!!- Herbert ficou duplamente surpreso.
- Só disse a verdade...você tem raiva dele porque ele é o único professor daqui que não rendeu-se as suas bajulações descaradas e dissimuladas...
Herbert era aquele tipo de pessoa bajuladora e por muitas vezes inconveniente, que faz de tudo para conseguir o que quer.
E como Herbert se irritou com a provocação, começando a ficar com as bochechas rosadas.A menina resolveu continuar pisando na ferida. Pisando no orgulho de qualquer corvinal que se preze:
-Ele vê você como realmente é...um pobre néscio, ignorante.- Respondeu Anita.
Anita sabia que Herbert não era tão néscio assim, mas ela queria ofendê-lo.E conseguiu.
-Néscio, eu??? Sua metida, esnobe, arrogante...sempre de nariz em pé...deveria ter ido pra Sonserina, sua bastarda!!!Veja o que vou fazer com seu trabalho.
Herbert levantou a caixa no ar e a teria arremessado sobre o chão, se alguém não o houvesse impedido.
-Interrompo alguma coisa senhor Westy –
Severo Snape apareceu com as suas vestes negras esvoaçantes por detrás das prateleiras repletas de livros, e tomou a caixinha das mãos do corvinal em questões de segundos. Julliane via toda a cena trêmula. E Anita parecia impassível como uma estátua.
-Ehhh...professor Snape?...- Herbert ficou ainda mais vermelho.
-Está vendo outra pessoa aqui, senhor Westy?- Falou Snape ironicamente.
-N-não p-prof-fessor...é...tudo culpa dela!!- Herbert falou apontando o dedo trêmulo pra menina a sua frente.
Anita não disse uma palavra, simplesmente cruzou os braços e balançou a cabeça para os lados negativamente, com total desprezo, seu rosto estava incrivelmente impassível.
-Aham...E foi a senhorita Stock quem eu peguei com essa caixa, querendo arremessar o seu próprio trabalho no chão...-Falou Snape mortalmente, estreitando os olhos negros.
–Poupe-me senhor Westy- ralhou Severo com todo desprezo que pode.
-É que...é que...bem..ela...- Confundiu-se o corvinal, na tentativa fracassada de manipular a situação.
-Oras senhor Westy, eu ouvi T-U-D-O, poupe-me dos seus lamentos!
Herbert parecia que a qualquer momento teria um ataque, mas ainda assim tentava manipular a situação:
-Mas senhor...- Herbert tremeu-se todo e gaguejou.
-Cale-se!!!- Snape vociferou impiedosamente, e como havia intimidado Herbert, Severus voltou-se para a corvinal.
-E a senhorita, o que tem a me dizer? –Snape inquiriu a moça de olhos azuis.
-Na verdade professor, eu não tenho nada a dizer. – Ela estava aparentemente tranqüila- Como o senhor mesmo disse que viu tudo, deixo na sua mão esse julgamento.
E Snape nunca havia sido respondido daquela maneira, com aquela força e segurança, a corvinal não estava sendo cínica, ou atrevida como muitos grifinórios que o professor repreendia. Anita estava extremamente calma e falava com certa confiança, sem petulância, como a segurança de quem não mente. E isso severo admirava em uma pessoa.
-Realmente, a senhorita tem razão.- Concluiu Snape admirando a moça na sua frente.
-Senhor Westy – Ele estreitou os olhos e tomou fôlego –Um mês de detenção com o Filth!!! E se eu lhe pegar novamente importunando a senhorita Stock, ou falando mal de qualquer professor...Eu farei com que seja a última vez...- Os olhos de Snape queimavam de ira, e sua voz faria tremer o bruxo mais corajoso daquele castelo.-
-Detenção vocês dois!!!- Disse Snape apontando para Julliane e Herbert com o dedo.
-E-Eu?- Julliane finalmente voltou a ter voz, mesmo que trêmula.
-Sim. A senhora também será castigada. Aprenda a escolher melhor suas amizades, e a ajudar sua colega quando ela precisar...sem ficar se tremendo...dessa forma patética.-Snape olhou-a com desprezo, balançou a cabeça, virou-se e foi embora.
Julliane não entendeu o porque de Herbert não ter desmaiado ali mesmo, pois tudo indicava que ele cairia no chão a qualquer momento, ela mesma não podia dizer nada...afinal, suas pernas estavam tremendo até agora.
Herbert voltou-se para Anita Stock, seu rosto vermelho de raiva:
-Se eu não conseguir passar de ano na matéria dele...você me paga Stock!!!
-Não me culpe, o show foi todo seu Westy. –Respondeu Anita mortalmente.
-Maldita!!!- Herbert saiu batendo nas cadeiras, sentido seu corpo tremer de raiva.
-Ainda bem que ele foi embora.- Disse Julli largando-se na cadeira, ao ver o corvinal sair da biblioteca.
No caminho, Snape sentiu no seu íntimo uma certa alegria escondida, por ter ouvido aquelas palavras ditas em sua defesa, pela bela senhorita Stock.
Enquanto isso a moça sentia a sua admiração pelo professor aumentar ainda mais. Agora, ele havia tornado-se seu herói. De certo modo, aquilo parecia meio infantil ou piegas para uma corvinal, como ela, mas naquele momento ela lembrava-se apenas da voz doce de sua mãe:
”Não se preocupe meu anjo, se o pior acontecer, virá um bruxo inteligente e corajoso lhe salvar. Ele será o seu herói...E aí você saberá, que poderá dar o seu coração a ele...”
Agora Anita tinha um defensor, ele poderia ser diferente de todo o estereótipo bruxo de beleza, com o qual as jovens sonham, mas para Anita isso já não importava, a seus olhos ele era perfeito.
Mas a realidade a aguardava...
-Droga....- Anita olhou para as suas mãos vazias e se deu conta, a caixinha não estava com ela, na confusão Snape havia ido embora com ela.
-O que foi???- Respondeu Julli sem entender.
-Nada...depois nós falamos.- Anita saiu correndo da biblioteca, precisa pensar.
***
continua...
sábado, 24 de abril de 2010
Desafios para o Fest de Dia dos Namorados
Escolha o seu e mãos à obra!
Desafios Claire:
1.) Encontro num baile de máscaras. Pode ser UA. SSHG ou SSLE.
2.) Sev criança e Lily conversando sobre o dia dos namorados no parquinho.
3.) Acidente com o preparo de poção do amor em sala de aula, e o Sev fora de si. Humor.
4.) Sev acha o diário da Hermione e se apaixona pelo que ela escreve.
5.) UA. Alguém consegue relacionar os personagens no mundo de Orgulho e Preconceito da Jane Austen?
6.) Os Comensais como estratégia enviam Sev embrulhado pra presente para alguém. Quem?
7.) Mundo Trouxa.
8.) Flores
9.) Sev enfrenta o sogrão quando vai a casa da namorada oficializar o namoro.
10.) Jantar do dia dos namorados, sozinho ou não.
Desafios da Gih:
1-Severus está em casa quando um cartão estranho chega por uma coruja rosa choque, ao abrir ele é teletransportado. ..
2-Severus e Ginny vão comemorar um ano juntos no dia dos namorados, mas ela não é encontrada em nenhum lugar (Comédia).
3-McGonagall está em seu escritório quando ouve uma música em sua janela. Lá embaixo o mestre de poções usa voz maravilhosamente rouca! Usar a música:Luz dos Olhos - Nando Reis.
Desafios Natalie
1 Uma moça de outro país (qualquer um) de personalidade forte e bem sociável se vê obrigada a ficar sob a tutela de Severus. Ela decide então se tornar forte o bastante para lutar na guerra, mas aí haverá tensões entre os dois sobre as escolhas dela.
2 Uma songfic SSHG com a música "alguma coisa aconteceu" da Bela e a Fera. Tem que seguir a historinha da música. (Ja vi uma parecida no ff, mas acho legal fazer mais XD)
3 Songfic SSHG, SSLE ou SSPO com a música "Um mundo ideal" do Aladin. (ja reparou que eu brizei com Disney né?! hsuasuahua)
4 Pós-guerra, Severus tropeça na sua ex-aluna Granger e Rita Skeeter espalha ao mundo bruxo que ele a estava atacando sexualmente, agora ele tem meio mundo atrás da cabeça dele, incluindo Minerva Mcgonagall e Molly Wesley. Agora os dois querem acabar com essa história, mas acabam se apaixonando no processo... ele fica abalado ahsuhasuha COMÉDIA
Desafios Magalud
1. Hogwarts é fechada por alguma ameaça mágica/Voldemort/ você inventa. Ninguém pode sair das salas onde estão até a ameaça passar. Severus fica trancado no seu laboratório com uma aluna/professora de sua escolha. O que acontece? ^_^
2. Cupido ficou indisponível e Snape é "recrutado" por anjos (criaturas mágicas, não religiosas) para atuar como Cupido no Dia dos Namorados. Snape é quem tem que fazer as pessoas se apaixonarem!
3. Snape prepara-se para convidar Lily para sair/jantar/ dançar no Dia dos Namorados. Sirius descobre e chama os Marauders para atrapalhar os planos do jovem Slytherin
4. Lucius ajuda Snape a ficar mais bonitinho e atraente, à la My Fair Lady. My Fair Snape, na verdade
5. Severus, amargo no Dia dos Namorados, recebe a visita dos Espíritos dos Dias De Namorado Passado, Presente e Futuro. À la Conto de Natal, de Dickens.
6. Vampiro!Snape encara Hermione como a reencarnação de sua amada.
7. Homossexualidade é a norma para a realeza em Hogwarts, um reino governador pelo rei Albus que prometeu seu filho Severus para o Príncipe Draco, do reino de Slytherin. Mas Severus se apaixona pela plebéia Hermione.
8. Snape in Wonderland. Fugindo de Voldemort, Severus cai num buraco no chão e corre atrás de um hipogrifo atrasado para um compromisso. Lá encontra uma linda Chapeleira que não é Maluca, mas os outros animais daquela terra são.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
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